Previsões de Bruxelas revelam “fatura pesada” da emergência sanitária
Covid-19
6 de mai. de 2020, 17:59
— Lusa/AO Online
“A emergência sanitária vai introduzir uma
fatura pesada na economia da zona euro, como demonstram as previsões de
primavera da Comissão Europeia”, afirma o presidente do fórum dos
ministros das Finanças da zona euro numa publicação feita na rede social
Twitter, no dia em que o executivo comunitário antecipou uma recessão
de 7,7% na zona euro este ano, resultante da pandemia.“Não
podemos evitar o vírus, mas podemos aliviar o seu efeito sobre os
cidadãos e as empresas europeias [visto que] a forma como sairmos desta
crise faz parte das escolhas que temos de fazer”, acrescenta o também
ministro das Finanças português.Para Mário
Centeno, “o caminho a seguir” para esta recuperação centra-se num
“crescimento sustentável com um plano de relançamento considerável” ao
nível da União Europeia (UE), no qual “se reparta os custos da crise ao
longo do tempo por todos os Estados-membros”, complementando ainda “os
esforços nacionais”.Em causa está o plano
de recuperação, interligado com uma proposta revista do orçamento da
União Europeia para 2021-2027, que a Comissão Europeia está a preparar e
vai apresentar nas próximas semanas, ainda sem data.“Temos
de relançar todas as nossas economias e colmatar o défice de
investimento de 850 mil milhões de euros identificado pela Comissão
Europeia, a fim de proteger o mercado único e a União Económica e
Monetária, garantindo que saímos desta crise mais fortes e – o que é
crucial – que saímos juntos”, adianta o responsável.A
Comissão Europeia estima que a economia da zona euro conheça este ano
uma contração recorde de 7,7% do Produto Interno Bruto (PIB), como
resultado da pandemia da covid-19, recuperando apenas parcialmente em
2021, com um crescimento de 6,3%, foi hoje divulgado.Como
já era expectável, nas previsões económicas da primavera hoje
publicadas, as primeiras a terem em conta o impacto da crise provocada
pela pandemia, o executivo comunitário reviu em profunda baixa as
anteriores projeções de crescimento, em cerca de nove pontos
percentuais, apontando que, “apesar da resposta rápida e abrangente,
tanto a nível da União Europeia como nacional, a economia europeia vai
experimentar uma recessão de proporções históricas este ano”.No
anterior exercício de previsões macroeconómicas, em fevereiro passado –
quando o novo coronavírus ainda parecia confinado à China –, Bruxelas
antecipava que a zona euro crescesse 1,2% do PIB tanto no ano em curso
como no próximo. Três meses depois, a
Comissão estima uma contração no espaço da moeda única que fica muito
acima do daquela verificada no auge da anterior crise financeira –
quando a zona euro se contraiu 4,5% em 2009 -, e até da recente previsão
do Fundo Monetário Internacional (7,5%), e alerta para que “os riscos
em torno desta previsão são também excecionalmente grandes e
concentrados no lado negativo”.Como
consequência do confinamento provocado pela pandemia da covid-19, que
levou à paralisação de boa parte da economia europeia, Bruxelas estima
também que a taxa de desemprego suba este ano para os 9,6% (face aos
7,5% registados em 2019), e recue apenas parcialmente para os 8,6% em
2021.Para Portugal, Bruxelas estima uma
contração da economia de 6,8%, menos grave do que a média europeia, mas
projeta uma retoma em 2021 de 5,8% do PIB, abaixo da média da UE (6,1%) e
da zona euro (6,3%).