Presidentes turco e russo reúnem-se 6ª feira para discutir Ucrânia e Síria
4 de ago. de 2022, 14:37
— Lusa/AO Online
Recep
Tayyip Erdogan irá assegurar a Vladimir Putin que pretende continuar a
atuar como mediador para um cessar-fogo duradouro na Ucrânia, segundo
avançou hoje a estação pública turca TRT.O
seu mais recente esforço de mediação levou à assinatura, a 22 de
julho, de um acordo para permitir a retoma das exportações de cereais de
três portos ucranianos, coordenada a partir de Istambul e com a
participação de delegados russos, ucranianos, turcos e das Nações
Unidas.Na quarta-feira, o primeiro navio a
navegar sob este acordo, o cargueiro ‘Razoni’, carregado com milho com
destino ao Líbano, passou pelo Bósforo para ser inspecionado pela equipa
conjunta em Istambul.No dia anterior,
Moscovo tinha lembrado que o acordo assinado também visa melhorar “as
condições de acesso de fertilizantes e alimentos russos ao mercado
internacional”.Erdogan, como garante do
acordo, irá assegurar, na sexta-feira na cidade russa de Sochi, que
Putin mantém a sua aprovação às exportações de cereais enquanto são
discutidos aspetos das sanções financeiras europeias à Rússia.Outra
questão em cima da mesa será a tentativa de Erdogan de obter a
aprovação de Putin para uma nova operação militar turca no norte da
Síria contra as milícias curdas, as Unidades de Proteção Popular (YPG),
que o Presidente turco está a anunciar há semanas.Esse
foi o seu foco principal na última reunião com o líder russo, realizada
em Teerão, em conjunto com o Presidente iraniano, Ebrahim Raisi, em 20
de julho.Nessa altura, Putin manifestou-se
claramente contra a atividade de “forças externas” na Síria e defendeu o
restabelecimento da autoridade de Damasco sobre todo o território.Esta
posição põe em causa os planos de Erdogan, já que, desde a última
operação turca na Síria, em 2019, o YPG concluiu acordos conjuntos com o
regime sírio e russo para impedir o avanço das forças turcas.A
Rússia é o principal apoio militar do ditador sírio Bashar al-Assad,
enquanto a Turquia apoia as milícias islâmicas que se opõem ao regime
desde o início da guerra civil, em 2011.