Presidentes francês e chinês querem trégua olímpica aplicada a todos os conflitos
7 de mai. de 2024, 17:53
— Lusa
Numa declaração
conjunta após uma reunião em que discutiram questões internacionais
globais e relações comerciais bilaterais, o Presidente francês, Emmanuel
Macron, anunciou o apoio dos dois países a uma trégua olímpica
abrangendo todos os conflitos durante os próximos Jogos de Paris, o que
também permitiria avançar na busca de soluções."Pensamos
que uma trégua olímpica para todos os cenários de guerra pode ser uma
ocasião para trabalhar em soluções duradouras no pleno respeito do
direito internacional", afirmou Macron, na referência ao evento
desportivo que se realiza na capital francesa em julho e agosto e para o
qual se esperam 16 milhões de visitantes.O
Governo francês também anunciou hoje que vai facilitar a emissão de
vistos para os viajantes chineses em negócios e turistas que visitam a
França, um dia antes da reunião do comité interministerial do turismo
(CIT) com o primeiro-ministro Gabriel Attal.A
França é o principal destino turístico do mundo, de acordo com a
Organização Mundial do Turismo, tendo no ano passado recebido 100
milhões de visitantes estrangeiros, que gastaram um total recorde de
63,5 mil milhões de euros.Vários contratos
comerciais entre empresas francesas e chinesas foram assinados hoje por
ocasião da visita de Xi, nomeadamente nas áreas da energia, transportes
e finanças, anunciou o Eliseu.Entre os
contrato anunciados está um para o grupo francês Suez construir uma
central de produção de eletricidade a partir de biomassa no sul da
China, por quase 100 milhões de euros. O
construtor ferroviário Alstom também obteve contratos para fornecer
sistemas de tração elétrica para linhas de metropolitano em Pequim,
Wuhan e Hefei. Do lado financeiro, a seguradora Groupama vai criar uma 'joint venture' com o Shudao Group "em finanças verdes".Outros
acordos comerciais menos avançados envolvem a Schneider Electric para
instalação de pontos de carregamento de veículos elétricos, ou entre o
Crédit Agricole e o Bank of China para "facilitar operações conjuntas".No
início do dia, o ministro francês da Economia e das Finanças, Bruno Le
Maire, defendeu uma "parceria econômica equilibrada e sólida" entre a
França e a China, ainda "de longe" de ser alcançada hoje em detrimento
de Paris.A França registrou um défice
comercial de cerca de 46 mil milhões de euros com a China em 2023,
enquanto o da União Europeia atingiu cerca de 300 mil milhões.De
acordo com uma lista de presentes oferecidos ao presidente chinês,
consultada pela agência noticiosa AFP, Macron entregou uma garrafa de
Hennessy X.O. Cognac e um decantador de Rémy Martin "Louis XIII" Cognac."Gostaria
também de agradecer ao Presidente a sua abertura relativamente às
medidas provisórias sobre o conhaque francês e o seu desejo de não as
ver aplicadas", acrescentou ainda Macron sobre a bebida alcoólica
francesa que é objeto de um inquérito antidumping lançado pelas
autoridades chinesas.Em Paris foram ainda
oferecidas a Xi obras de Victor Hugo, bem como o primeiro dicionário
franco-chinês, publicado em 1742, e uma jarra "achatada nos dois lados,
esculpida, em vidro de várias camadas", de uma vidraria de Amboise
(Indre-et-Loire).