Presidentes do Santa Clara e do Marítimo anseiam saber futuro da I Liga
Covid-19
7 de mai. de 2020, 09:21
— Lusa/AO Online
Rui Cordeiro e Carlos Pereira participaram na
quarta-feira num debate da RTP-Madeira, no qual o líder do clube
açoriano lembrou que o primeiro-ministro António Costa avançou o retorno
do campeonato, após a suspensão da prova, por causa da pandemia de Covid-19, no último fim de semana de maio, mas que ainda não está
confirmado e definido, faltando a ação da Direção-Geral da Saúde (DGS).“Ainda
não houve nenhuma inspeção aos estádios, um parecer sobre essa situação
e ainda há uma grande incógnita. Imaginemos que o Marítimo e o Santa
Clara têm de ir para o continente. Há toda uma questão de logística, de
transportes, alojamento, de custos adicionais que nós podemos vir a ter e
nós já estamos a 6 [de maio], para retomar a 30. O prazo está a ficar
curto e os dias passam. Parece que nós, fazendo parte de Portugal,
estamos numa terra de ninguém”, alertou.Rui
Cordeiro avisou que o Santa Clara, que regressa esta quinta-feira ao trabalho, tem a
“vida para definir” e apontou para a limitação existente nos aviões,
uma desvantagem que as equipas insulares têm em comparação com as
outras, preocupação partilhada com o homólogo do Marítimo.“Nós
precisamos de saber o que é preciso para mudarmos de armas e bagagens
para outro lado. O próprio primeiro-ministro disse que não sabia [se o
futebol vai voltar]. A DGS tem dúvidas. Ainda não sabemos e eu ainda
tenho muitas dúvidas”, disse Carlos Pereira, que referiu que o
departamento jurídico do clube enviou as questões à Liga Portuguesa de
Futebol Profissional.O presidente do
emblema ‘verde rubro’ revelou ter conhecimento de que a Liga indicou
todos os estádios, que serão avaliados pela DGS e voltou a frisar o
interesse em jogar no Estádio do Marítimo, evitando uma concentração em
Portugal continental.“É mais difícil ir de
Faro a Braga do que do Porto ou de Lisboa à Madeira ou aos Açores. [A
quarentena obrigatória] É o único problema. O Marítimo, com as condições
que tem, não aceita [jogar fora] e acha que é perfeitamente possível
jogar no Funchal. Se jogar [fora da Madeira], será sob protesto. O
Marítimo não vai dar nenhuma falta de comparência, mas irá contestar a
decisão, que não acredito que seja essa”, comentou.Já
Rui Cordeiro mostra-se disponível para realizar as 10 jornadas
restantes fora dos Açores, esperando uma ajuda com os custos nesse
cenário, embora dê “primazia” em ver o Santa Clara jogar em São Miguel e
falou sobre o regresso do campeonato, num cenário que “não foi ideal”.“Se
os clubes, ou quase todos, da II Liga estão salvaguardados, com estes
fundos, para nós, da I [Liga], era fundamental a conclusão do
campeonato, pela questão do pagamento dos direitos televisivos. (A
questão financeira) Falou mais alto”, reconheceu, elogiando o “espírito
de solidariedade” dos três ‘grandes’ em “ajudar” o futebol português.O
presidente do Santa Clara reforçou a vontade em ver equipas das ilhas
no principal escalão, congratulando o Nacional pela subida à I Liga, um
ponto que Carlos Pereira também abordou.“Desportivamente,
dou os parabéns. Administrativamente, ainda não, porque ainda não sei o
que pode acontecer. Uma decisão de uma direção pode não legitimar essa
subida. Não sou hipócrita. É evidente que temos benefícios se estivermos
sós [na I Liga]”, respondeu, admitindo que a Madeira fica a “ganhar”
com os ‘alvinegros’ no campeonato principal.Com
os dois presidentes a reforçarem na necessidade de readaptar no futuro,
o dirigente do Marítimo comentou ainda a decisão da Federação
Portuguesa de Futebol em criar um novo terceiro escalão.“Penso
que pode abrir a porta para uma maior importação. Veremos o que os
regulamentos vão ditar para saber se há no mercado nacional jogadores
disponíveis para todo esse futebol”, referiu.