Presidentes da China e da Rússia voltam a reunir-se no Cazaquistão
3 de jul. de 2024, 12:42
— Lusa/AO Online
Os
dois líderes participam esta semana no fórum de líderes dos
países-membros da Organização de Cooperação de Xangai, na capital do
Cazaquistão, Astana. Xi Jinping e Vladimir
Putin reuniram-se pela última vez em maio, quando o líder do Kremlin
visitou Pequim para sublinhar a estreita parceria, que se opõe à ordem
democrática liderada pelos Estados Unidos e procura promover um mundo
"multipolar"."Os nossos líderes
reunir-se-ão durante uma cimeira da Organização de Cooperação de Xangai,
em Astana, em julho", disse o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov,
em maio, numa reunião com o homólogo chinês, Wang Yi.Wang
disse então a Lavrov que China e Rússia devem reforçar o apoio mútuo e
aumentar os esforços conjuntos para garantir a estabilidade na região
que partilham."As duas partes devem
preparar-se para um compromisso bilateral ao longo do ano, continuar a
aumentar o apoio mútuo, estabilizar os fundamentos da cooperação e
manter a segurança e a estabilidade na vizinhança comum sino-russa",
afirmou Wang, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros da
China.A Organização de Cooperação de
Xangai foi criada em 2001 pela China e pela Rússia para debater as
questões de segurança na Ásia Central e em toda a região. Os outros
países-membros são Irão, Índia, Paquistão, Cazaquistão, Quirguizistão,
Tajiquistão e Uzbequistão. Os Estados observadores e parceiros de
diálogo incluem a Turquia, a Arábia Saudita e o Egito.O Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, estará também presente porque o país está prestes a tornar-se membro.Também estará presente o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, que se encontra em visita à Ásia Central.Putin
quer mostrar que a Rússia não está isolada por causa das sanções
ocidentais decorrentes da invasão da Ucrânia em 2022. O Tribunal Penal
Internacional emitiu um mandado de captura contra Putin por crimes de
guerra, acusando-o de responsabilidade pessoal pelo rapto de crianças da
Ucrânia. O Cazaquistão não faz parte do Estatuto de Roma, pelo que não é
obrigado a proceder à detenção.Para
Putin, a reunião tem a ver com "prestígio e com a ótica simbólica de que
não está sozinho", disse Alexander Gabuev, diretor do Centro Carnegie
Rússia-Eurásia.A reunião é mais uma
oportunidade para Putin e Xi demonstrarem os fortes laços pessoais da
"parceria estratégica", numa altura em que ambos enfrentam tensões
crescentes com o Ocidente. Os dois líderes já se encontraram mais de 40
vezes.A China é o principal aliado
diplomático da Rússia e um dos principais mercados para o petróleo e gás
russos. Moscovo depende de Pequim como principal fonte de importações
de alta tecnologia para manter a máquina militar em funcionamento.A
Organização de Cooperação de Xangai ajuda a China a projetar
influência, especialmente na Ásia Central e no Sul Global. Na semana
passada, Xi apelou para a criação de "pontes de comunicação" entre os
países e pretende continuar a promover a China como uma alternativa aos
EUA e aliados.A luta contra o terrorismo é
uma das principais prioridades da organização. Este ano, a Rússia
sofreu dois ataques terroristas, com mais de 145 pessoas mortas por
homens armados numa sala de concertos em Moscovo, em março, e pelo menos
21 pessoas mortas em ataques contra a polícia e casas de culto no
Daguestão, em junho.