Presidente quer debates e conferências nas escolas sobre a censura
25 Abril
28 de abr. de 2022, 12:04
— Lusa/AO Online
"Seria
útil, nestes anos até 2024, haver, com os jornalistas desse tempo,
encontros, debates, nas escolas universitárias, no ensino básico e
secundário, para que as pessoas verdadeiramente percebam o que é a
censura e toda a lógica de repressão que havia", disse o Presidente
durante uma visita à exposição 'Proibido por inconveniente', na qual foi
acompanhado pelo primeiro-ministro, António Costa.“Proibido
por inconveniente” é uma mostra de vários testemunhos da censura que
amordaçou o país durante 48 anos de ditadura, que tem a intenção
“pedagógica” de mostrar o que é a liberdade, pela sua negação.A
censura - instaurada logo após o golpe de 28 de maio de 1926 e que se
estendeu até 1974 - exerceu-se sobre a imprensa, a literatura, a arte, a
publicidade, todos os meios de comunicação e expressão artística, com o
objetivo de silenciar críticas e pensamentos discordantes do “bem
comum”, criando a imagem de um país ideal, bem diferente do país real,
aquele “que não podia vir a público”, segundo os organizadores.Durante
a visita, José Pacheco Pereira foi relatando exemplos do "grande
objetivo da censura, que era esconder Portugal dos portugueses, não só a
nível da oposição política, mas também a pobreza, as doenças e o
desemprego", disse o historiador durante a apresentação da exposição,
que terminou ao público e que foi visitada por cerca de 9 mil
pessoas.Para o primeiro-ministro, António
Costa, a realização da exposição foi importante para relembrar que "é
preciso reforçar o amor e acarinhar a liberdade todos os dias, porque
houve sempre alguém, em todos os tempos e em todas as geografias, que
achou que a liberdade era um bem adquirido e um dia acordou sem essa
liberdade".Resultante de uma parceria
entre a Câmara Municipal de Lisboa, a EGEAC e a Ephemera, a exposição
está dividida em vários núcleos temáticos, que mostram as várias faces
da censura: da prévia à que atuava ‘a posteriori’; da que censurava, mas
fazia critica literária, à elitista; da que atuava através de diversos
organismos à que se fazia de invisível.Para
esta mostra foram reunidos materiais diversos que testemunham a atuação
da censura e que passam por jornais, livros, revistas, discos, autos,
relatórios e publicações clandestinas, todos oriundos da biblioteca e
arquivo de Pacheco Pereira.