Presidente parlamento da Madeira lamenta região não ter sido ouvida sobre IVA a 0%
Crise/Inflação
4 de abr. de 2023, 11:56
— Lusa/AO Online
José Manuel Rodrigues
falava aos jornalistas na cerimónia comemorativa da Revolta da Madeira
de 1931, que decorreu no Largo Charles Conde de Lambert, no Funchal. “Noventa
e dois anos depois da Revolta da Madeira, há razões para continuar a
lutar pela democracia e, sobretudo, pela autonomia. Pela democracia
devido aos extremismos e populismos, pela autonomia porque diariamente
os direitos das regiões autónomas são desrespeitados por determinadas
instituições do Estado”, afirmou. O
presidente do parlamento madeirense salientou que esse desrespeito
ocorreu com a lei da eutanásia e, mais recentemente, com a medida do IVA
a 0% para um conjunto de produtos alimentares. “Na
lei da eutanásia, a Assembleia da República decidiu não ouvir os
parlamentos da Madeira e dos Açores, apesar de ter implicações na sua
aplicação em termos de serviços regionais de saúde. Na lei do IVA 0
sobre o cabaz alimentar, que também tem implicações na vida dos
madeirenses e dos açorianos, também a Assembleia da República decidiu
não ouvir os parlamentos regionais”, apontou.José
Manuel Rodrigues (CDS-PP) defendeu que “o vírus do centralismo está a
ressurgir no seio das instituições da República Portuguesa e é preciso
que os madeirenses e açorianos estejam atentos e, sobretudo, estejam
preparados para de novo protestar e lutar pela defesa da nossa
autonomia”.“Eu acho que é desrespeito a
mais para com as regiões autónomas e apelo aos representantes e
titulares dos órgãos de soberania para terem em consideração os direitos
fundamentais das regiões autónomas, que levaram séculos a conquistar e
que a Revolta da Madeira foi um dos grandes episódios”, considerou.A
efeméride lembra o levantamento militar contra o governo da ditadura
nacional, iniciado na madrugada de 04 de abril de 1931, envolvendo
forças do Destacamento de Caçadores 5, Metralhadoras 1, Regimento de
Infantaria 13 e Artilharia 3.Este
movimento contra o regime do Estado Novo de Oliveira Salazar foi
liderado por militares que se encontraram deportados na região e durou
cerca de um mês.Os revoltosos destituíram
as autoridades militares e civis da ilha e nomearam uma Junta
Governativa, liderada pelo general Sousa Dias. A
sublevação na Madeira foi a primeira contra a ditadura nacional e gerou
revoltas semelhantes nos Açores e na Guiné, tendo sido debelada com a
intervenção de um contingente militar e naval enviado do continente.Dois
meses antes da revolta militar tinha já ocorrido um levantamento
popular, denominado Revolta da Farinha, contra medidas económicas e
financeiras, nomeadamente um decreto de Salazar que impunha a
centralização estatal do comércio de cereais.