Presidente palestiniano exige ao Hamas que liberte reféns e deponha armas
Médio Oriente
23 de abr. de 2025, 12:34
— Lusa/AO Online
“O
Hamas forneceu à ocupação criminosa pretextos para cometer os seus
crimes na Faixa de Gaza, sendo o mais flagrante [desses pretextos] a
detenção de reféns”, disse Abbas numa reunião em Ramallah."Sou
eu que pago o preço, é o nosso povo que paga o preço, não é Israel.
Libertem-nos", exigiu Abbas, que governa uma pequena parte da
Cisjordânia ocupada.“O Hamas deve pôr fim
ao controlo da Faixa de Gaza, entregar todos os assuntos e as suas armas
à Autoridade Nacional Palestiniana”, declarou Abbas, sublinhando ser
este o único cenário que pode garantir “segurança e estabilidade na
Palestina e na região”.O Presidente
palestiniano, que falava no discurso de abertura da 32.ª sessão do
Conselho Central da Fatah Palestiniano, na cidade de Ramallah, na
Cisjordânia acusou o Hamas de ter provocado “sérios danos à causa
palestiniana, sem isentar a ocupação da sua responsabilidade”.“Enfrentamos
graves perigos que se aproximam de uma nova ‘Nakba’ que ameaça a nossa
existência e pode levar à liquidação de toda a nossa causa nacional, em
execução dos planos daqueles que criaram a primeira ‘Nakba’ em 1967”,
disse, referindo-se às autoridades israelitas.“Nakba”
é uma palavra árabe que significa "catástrofe" ou "desastre" e designa o
êxodo palestino de 1948, quando pelo menos 711.000 árabes
palestinianos, segundo dados da Organização das Nações Unidas, fugiram
ou foram expulsos das suas casas, devido à guerra civil de 1947-1948 e
da Guerra Israelo-Árabe de 1948.Acusou
também o Hamas de ter protagonizado um “golpe de Estado” em 2007, quando
assumiu o controlo de Gaza na sequência dos confrontos
intra-palestinianos desencadeados pelas eleições de 2006, em que o grupo
islamita saiu vencedor, antes de reiterar que Israel o utilizou “para
destruir o tecido nacional e impedir a criação de um Estado
independente”."Em Gaza, o nosso povo está
atualmente sujeito a uma guerra genocida, na qual perdemos mais de
200.000 cidadãos, mártires e feridos. Apesar da enormidade deste número
de vítimas, não é possível vê-lo como meros números”, disse,
acrescentando que ”estas não podem ser perdas táticas, como dizem os
responsáveis pelo golpe para beneficiar a ocupação e os inimigos do
povo".“O que se passa convosco?”,
perguntou Abbas, que também denunciou a “bárbara agressão israelita” na
Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, onde quase mil pessoas, incluindo
188 crianças, foram mortas por ataques israelitas desde 07 de outubro de
2023, segundo a agência noticiosa palestiniana WAFA.Sublinhou
que “as forças de ocupação estão a cortar a Cisjordânia, isolando
algumas áreas de outras e impedindo a livre circulação de pessoas e
bens”. Abbas acusou Israel de “violar o
direito internacional e agir como se estivesse acima da lei, renunciando
aos acordos que assinou com a Organização de Libertação da Palestina
(OLP) e recorrendo ao extremismo e ao terrorismo”, razão pela qual
sublinhou a necessidade de “parar a guerra de extermínio em Gaza”,
retirar todas as tropas do enclave e pôr fim aos ataques na Cisjordânia e
em Jerusalém Oriental.A segunda
prioridade é “levantar o bloqueio israelita à Faixa de Gaza, assegurar o
fornecimento de bens essenciais, eliminar os efeitos da agressão e
reconstruir”, bem como “impedir todas as tentativas de deslocar a
população de Gaza” através da coordenação com os países da região do
Médio Oriente, defendeu.À ANP caberá
assumir "todas as responsabilidades na Faixa de Gaza, bem como na
Cisjordânia e em Jerusalém Oriental", com base numa "legislação
unificada, numa instituição unificada, num armamento unificado e numa
postura política unificada".Abbas apelou a
“um horizonte político baseado no fim da ocupação israelita e na
aplicação das resoluções internacionais, incluindo o estabelecimento de
um Estado palestiniano independente, soberano, contíguo, viável e
reconhecido, que seja membro das Nações Unidas e viva em paz e segurança
ao lado de Israel”.