Presidente libanês exclui qualquer normalização com Israel
Médio Oriente
11 de jul. de 2025, 16:01
— Lusa/AO Online
Esta é a primeira reação
oficial libanesa às declarações do ministro israelita dos Negócios
Estrangeiros, Gideon Saar, a 30 de junho, quando afirmou que Israel
estava interessado em normalizar as relações com a Síria e o Líbano.Os dois países continuam em guerra com Israel e Damasco afirmou que a normalização é “prematura”.O Presidente libanês “fez uma distinção entre paz e normalização”, de acordo com um comunicado de imprensa."A
paz é a ausência de guerra, que é importante para nós, no Líbano, neste
momento. Quanto à questão da normalização, esta não está prevista na
atual política externa libanesa", afirmou, ao receber uma delegação de
um grupo de reflexão.O Presidente apelou a
Israel para que se retire dos cinco pontos que ocupa no sul do Líbano,
alegando que a sua presença “impede a deslocação do exército para a
fronteira”.O acordo de cessar-fogo que pôs
fim à guerra entre o Hezbollah pró-iraniano e Israel, em novembro,
estipula que apenas o exército libanês e as forças de manutenção da paz
devem ser destacados para o sul do país.O Hezbollah deve retirar as suas forças e desmantelar todas as infraestruturas militares na região.Esta
semana, as autoridades libanesas deram a um enviado americano a sua
resposta, que não foi tornada pública, a um pedido de desarmamento do
Hezbollah no resto do país.Neste contexto, o Presidente libanês declarou que as autoridades estavam determinadas a “ter o monopólio das armas no país”.A
aplicação desta decisão “terá em conta os interesses do Estado e da
estabilidade, a fim de preservar a paz civil, por um lado, e a unidade
nacional, por outro”, afirmou, o que significa que o Hezbollah não será
desarmado pela força.Durante muito tempo a
força política dominante no Líbano, o Hezbollah é a única fação que
conservou o seu arsenal, incluindo após a guerra civil libanesa
(1975-1990), em nome da “resistência contra Israel”.Este
movimento, cujo arsenal inclui mísseis, saiu muito enfraquecido da
guerra com Israel, que praticamente dizimou a sua direção.Os
ataques de Israel ao Hezbollah em território libanês prosseguem, com o
exército a admitir na quarta-feira que realizou operações terrestres
contra bases militares do grupo xiita. O
Exército israelita referiu que "destruiu a infraestrutura terrorista do
Hezbollah no sul do Líbano", no que descreveu como "uma missão defensiva
na fronteira libanesa para proteger a segurança dos cidadãos do Estado
de Israel e eliminar qualquer ameaça ao território do país", de acordo
com um comunicado.Os militares israelitas
justificaram este tipo de ataques contra o Líbano por estarem a agir
contra as atividades do Hezbollah e, por isso, não sendo uma violação do
cessar-fogo acordado em novembro.No entanto, Beirute e o Hezbollah criticaram estas ações, também condenadas pelas Nações Unidas.