Presidente interina da Venezuela Delcy Rodríguez anuncia fim da amnistia
Hoje 11:13
— Lusa/AO Online
Numa mensagem divulgada na
quinta-feira, Rodríguez não adiantou pormenores nem explicou o que
significa o fim da Lei da Amnistia, promulgada a 19 de fevereiro e que
não prevê data de validade.A chefe de
Estado assegurou que os casos que "foram expressamente excluídos" da
amnistia podem ser tratados noutros fóruns, como o Programa de Paz e
Convivência Democrática e a Comissão de Reforma da Justiça Penal, criada
na quinta-feira.A comissão ficará
encarregue de uma "grande consulta" para reformar o sistema de justiça
criminal, para ultrapassar os "males que persistem" neste sistema,
afetado por atrasos processuais e corrupção, explicou a presidente
interina.A amnistia "foi muito
bem-sucedida em termos de abrangência e número de beneficiários",
defendeu Rodríguez, apesar do que descreveu como "vozes que procuram
travar os processos".A líder afirmou que a
amnistia "surgiu como consequência da intensificação do confronto
político na Venezuela, que levou à agressão externa", referindo-se à
captura do então Presidente Nicolás Maduro e da mulher, Cilia Flores,
por parte dos Estados Unidos, em 03 de janeiro.A
Lei da Amnistia abrange um período de 27 anos, a partir de 1999, mas
apenas em ligação a 13 eventos ocorridos em 13 anos diferentes,
excluindo operações militares e crimes como corrupção, homicídio e
violações de direitos humanos.Até
quarta-feira, 8.616 pessoas tinham recebido amnistia, das quais 314
estavam detidas e as restantes em liberdade sob medidas cautelares,
disse o deputado Jorge Arreaza.Arreaza,
que preside à comissão parlamentar encarregada de acompanhar a lei,
indicou ainda que as autoridades receberam um total de 12.187 pedidos de
amnistia válidos.O deputado acrescentou que ainda estão a "receber pedidos de venezuelanos que vivem dentro e fora do país".As
autoridades não divulgaram uma lista oficial com a identidade dos
beneficiários, apesar dos pedidos do Alto Comissário das Nações Unidas
para os Direitos Humanos, Volker Türk, e de várias organizações
venezuelanas.A Foro Penal, que lidera a
defesa dos presos políticos na Venezuela, afirmou que menos de 25% das
libertações ocorridas em 2026 se devem à Lei da Amnistia.Segundo
dados da organização não-governamental Justiça, Encontro e Perdão, na
Venezuela estão detidas por motivos políticos 674 pessoas, incluindo 28
estrangeiros e 30 venezuelanos com dupla nacionalidade.Entre os estrangeiros encontram-se seis cidadãos portugueses.