Presidente francês pede novas medidas face ao aumento do islamismo

21 de mai. de 2025, 17:04 — Lusa/AO Online

O relatório, encomendado pelo Governo francês e debatido numa reunião do Conselho de Defesa, refere uma “ameaça à coesão nacional” com o desenvolvimento do islamismo de “baixo para cima” por parte da Irmandade Muçulmana, nomeadamente em associações desportivas, culturais e sociais.De acordo com o Eliseu, perante a “gravidade dos factos constatados” neste relatório, o chefe de Estado francês considerou insuficientes as propostas analisadas e pediu novas propostas a apresentar num “próximo Conselho de Defesa no início de junho”.Macron convocou assim o primeiro-ministro, François Bayrou, e os ministros dos Negócios Estrangeiros, das Finanças e da Educação e do Desporto, "três setores particularmente visados" por um desenvolvimento interno de "baixo para cima" de uma ideologia islamita, segundo o Eliseu.“Até ao final da semana” será publicado um relatório bastante pormenorizado, indicou o Conselho de Defesa francês, para “sensibilizar o Estado” e “informar o público em geral e os eleitos locais sobre a ameaça e o funcionamento” desta ameaça.“A infiltração leva tempo, é escondida e é um discurso muito polido”, salientou a Presidência francesa.A Irmandade Muçulmana é um movimento político islâmico conservador nascido em 1928 no Egito, tendo sucedido à união de organizações islâmicas de França (UOIF) em 2017. Foi proibido em vários países, incluindo na Arábia Saudita, no Egito e, muito recentemente, na Jordânia.O ministro do Interior francês, Bruno Retailleau, que descreveu o relatório como alarmante, esboçou algumas ideias iniciais, nomeadamente “uma melhor organização do Estado” com “um verdadeiro chefe dos serviços secretos” e “um gabinete do procurador administrativo no Ministério do Interior” para “iniciar dissoluções” e “obstáculos administrativos”.Retailleau referiu ainda “uma formação” para funcionários públicos e autarcas, e de uma “estratégia de sensibilização do grande público”, sublinhando “buracos no tapete” relativamente aos “circuitos financeiros” deste movimento.O Conselho de Defesa debruçou-se também sobre as redes sociais, “um vetor para os islamistas que navegam na atualidade e põem em causa o que a República representa em termos de laicidade, nomeadamente para tentar demonstrar que o Estado é islamófobo”, sendo que a Igreja e o Estado estão separados desde 1905 em França.Na República Francesa, todos os símbolos religiosos são proibidos a funcionários públicos e nas escolas, incluindo aos alunos, como as cruzes cristãs, os quipás judeus, os turbantes ‘sikhs’ e o véu islâmico.A Federação de Muçulmanos de França, um ramo nacional da Irmandade Muçulmana, já denunciou veementemente as “acusações infundadas” e alertou para “amálgamas perigosas”.“Rejeitamos firmemente qualquer alegação que tente associar-nos a um projeto político estrangeiro”, disse.Já o Conselho francês do culto muçulmano (CFCM), antigo órgão representativo do Islão até 2021, considerou que o relatório “sustenta uma confusão prejudicial” para os “cidadãos muçulmanos” que “sentem agora que já não estão a salvo de suspeitas constantes”.“Temos de pôr em causa o nosso tratado fiscal com o Qatar, que é um dos principais fornecedores financeiros da Irmandade Muçulmana”, afirmou o presidente do partido de extrema-direita União Nacional (RN), Jordan Bardella, apelando à “proibição da Irmandade Muçulmana”.Mas a ideia que mais teve impacto veio de Gabriel Attal, secretário-geral do partido presidencial e antigo primeiro-ministro (2024), que esteve na origem da proibição da ‘abaya’ (veste muçulmana) nas escolas e que defende a proibição do véu em locais públicos para menores de 15 anos.