Presidente do PS defende reforço do apoio de Portugal a Cabo Verde
8 de abr. de 2022, 16:21
— Lusa/AO Online
“Do
ponto de vista do Partido Socialista, o estímulo é de que o Governo
português reforce e aprofunde essa cooperação”, afirmou o líder dos
socialistas portugueses, questionado pela Lusa no Palácio Presidencial,
na Praia, após a visita de Carlos César ao chefe de Estado
cabo-verdiano, José Maria Neves.“Do
ponto de vista das relações bilaterais essa disponibilidade é elevada.
Penso que Portugal já tomou algumas decisões no âmbito da dívida pública
cabo-verdiana, designadamente moratórias, e penso que esta relação
privilegiada nos permite aprofundar e ir além daquilo que já fomos até
agora”, acrescentou.O
Governo cabo-verdiano apelou na terça-feira à mobilização de apoio
orçamental internacional face ao “cenário desastroso” nas contas
públicas provocado pela guerra na Ucrânia, estimando em 40 milhões de
euros o impacto para conter a escalada de preços.“É
um cenário desastroso. É um cenário diria mesmo dramático, mas todos em
conjunto seremos capazes de o resolver”, afirmou o
vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, ao
apresentar ao corpo diplomático acreditado no país a situação
macroeconómica para 2022, após as consequências da guerra na Ucrânia,
nomeadamente a necessidade de intervenção do Estado para estabilizar os
preços da energia e alimentos.Cabo
Verde não possui capacidade de refinação e importa todos os produtos
petrolíferos de que necessita – cerca de 80% da produção de eletricidade
é garantida por centrais gasóleo ou fuelóleo -, bem como 80% dos
alimentos, devido à seca que o arquipélago vive há mais de três anos.Portugal
é um dos vários países que fornece ajuda orçamental a Cabo Verde, entre
outro apoio, como a concessão de moratórias ao serviço da dívida
cabo-verdiana, em 2020 e 2021, devido às consequências da pandemia de
covid-19.Carlos
César, que iniciou hoje uma visita de três dias à Praia, onde participa
no congresso do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV,
oposição desde 2016), afirmou que os dois países podem reforçar as
relações e “consolidar as áreas em que essa cooperação bilateral pode e
deve ser aprofundada”.“Temos
quase 40 mil cabo verdianos em Portugal, muitos portugueses aqui em
Cabo Verde e, portanto, tudo isso se conjuga, para além da nossa
história passada comum, para que a relação entre Cabo Verde e Portugal
seja sempre uma relação privilegiada”, disse.Afirmou
que Portugal também tem “obrigações” e que o primeiro-ministro, António
Costa, “tem desenvolvido e intensificado essa cooperação” com Cabo
Verde.“Cabo
Verde e Portugal são países irmãos, conviveram ao longo dos séculos,
ainda que de outra forma, mas hoje também partilham o seu desejo de
construir sociedades prósperas mais justas e baseadas na Democracia,
democracia esta que tem tido em Cabo Verde um exercício que marca o
prestígio que hoje Cabo Verde tem no plano externo”, disse ainda Carlos
César, à saída do encontro com José Maria Neves.“Sendo
países cooperantes ou da comunidade internacional em geral, reconhecem
que Cabo Verde é um país com uma vida democrática sã e com
probabilidades elevadas de melhorar a sua condição económica e a sua
condição social”, acrescentou.José
Maria Neves foi eleito em outubro passado Presidente da República de
Cabo Verde, depois de ter exercido o cargo de primeiro-ministro, de 2001
a 2016, pelo PAICV.“Tive
muita satisfação neste encontro na medida em que foi uma oportunidade
de felicitar o Presidente da República pela sua recente eleição. É uma
pessoa com quem também do ponto de vista pessoal já tenho uma longa
relação, desde que como presidente do Governo Regional dos Açores
trabalhei com ele quando era primeiro-ministro durante muitos anos,
aprofundando esta relação entre Cabo Verde e Portugal”, recordou Carlos
César.