Presidente do parlamento dos Açores defende mais direitos sobre o mar
13 de jul. de 2022, 08:23
— Lusa/AO Online
“Temos um mar
imenso, que tantos cobiçam, mas temos também de ter mais direitos sobre
ele, e sobretudo, mais competências na sua gestão, área em que o Estado
tantas e tantas vezes legisla, sem o respeito devido pela autonomia
regional”, acusou o deputado social-democrata, durante uma conferência
sobre a economia azul, realizada na cidade da Horta.No
seu entender, é necessário que a região autónoma reforce e clarifique
as suas competências em matéria de gestão do mar dos Açores, objetivo
que, na sua opinião, só será alcançado através de uma “densificação” do
conceito de gestão partilhada, que vigora na legislação nacional, cuja
versão atual, diz Luís Garcia, “não serve os interesses dos Açores”.“Para
defender os interesses dos Açores, é preciso dar voz a quem aqui vive e
desenvolve o seu trabalho”, advertiu o presidente do parlamento
açoriano, que defende também uma aposta forte no conhecimento e na
educação, como forma de potenciar a economia ligada às atividades
marítimas.A ilha do Faial foi o palco
escolhido para a receber a quinta edição do ciclo de conferências “45
anos de Autonomia”, dedicada ao desafio da economia azul, organizado
pela Assembleia Legislativa dos Açores, no âmbito das comemorações da
autonomia regional.João Gonçalves,
pró-reitor da Universidade dos Açores, e diretor interino do IMAR –
Instituto do Mar, também presente na conferência, defendeu, por seu
turno, uma “ação articulada” entre a academia açoriana e a Escola do Mar
dos Açores, como forma de captar mais jovens para a economia ligada ao
mar. “Numa primeira fase vai ser preciso
criar incentivos para estas profissões, que normalmente não são muito
procuradas pelos jovens, sendo conveniente dar-lhes alguns atrativos,
nem que seja na forma de estágios profissionais fora da região, para
conhecerem outras realidades”, sugeriu o investigador Também
Sandro Jorge, diretor executivo da Escola do Mar dos Açores, realçou a
importância que as novas tecnologias têm atualmente, para aumentar o
conhecimento sobre o mar que rodeia o arquipélago e sobre o impacto que o
oceano tem, por exemplo, na regulação das condições atmosféricas.