Presidente do parlamento da Madeira aponta "sérias razões" de preocupação sobre estado da vida pública
8 de mai. de 2023, 08:45
— Lusa/AO Online
“A
disputa entre órgãos de soberania enfraquece a nossa democracia, o
confronto institucional descredibiliza o sistema político, esta tensão
política provoca a descrença na governabilidade do país e é terreno
fértil para os populismos e os radicalismos”, declarou José Manuel
Rodrigues. O presidente do parlamento
madeirense, do CDS-PP, discursava na cerimónia comemorativa do 109.º
aniversário da fundação do município da Ribeira Brava, na zona oeste da
ilha.José Manuel Rodrigues lamentou que
“justamente no momento” em que deviam ser celebradas as conquistas do
poder local e da autonomia, “das maiores realizações da democracia
portuguesa”, surjam “nuvens pesadas sobre o sistema político nacional”. “E
temos sérias razões de preocupação sobre o estado da vida pública em
Portugal”, considerou, argumentando que o país, “nas últimas décadas,
teve um crescimento anémico de meio por cento, sendo ultrapassado por
antigas repúblicas soviéticas”, com uma “dívida pública altíssima e
perigosa” e “salários médios muito abaixo da média europeia”.O
presidente da Assembleia Legislativa da Madeira criticou ainda que,
numa altura em que Portugal enfrenta as consequências da guerra na
Ucrânia, “em vez de se concentrar na aplicação dos dinheiros da Europa
ao seu dispor, é envolvido em episódios e crises desnecessárias,
lamentáveis e inaceitáveis”.“O caminho
seguido é perigoso e pode descambar numa crise política sem fim que, em
última instância, compromete o crescimento económico, atrasa a aplicação
do Programa de Recuperação e Resiliência e trava o desenvolvimento do
país”, defendeu. José Manuel Rodrigues
apontou ainda que “há quem esteja a pôr os seus interesses pessoais e
partidários acima dos interesses nacionais”, para logo acrescentar: “Não
me digam que é a democracia a funcionar. Para mim, é a democracia a
degenerar”.“Nós, que neste pedaço de terra
procuramos construir Portugal no Atlântico, com empenho e trabalho, com
virtudes e, certamente, com imperfeições, como é próprio do que é
humano, não podemos deixar de lamentar e de lavrar o nosso protesto
contra o que se passa na pátria comum”, reforçou.