Presidente do parlamento da Madeira alerta para “dias turbulentos” e pede pacto de estabilidade
25 de nov. de 2024, 12:07
— Lusa/AO Online
“É
verdade que diversos agentes políticos e governamentais estão sujeitos a
investigações judiciais, mas isso não deve impedir o normal
funcionamento das nossas instituições democráticas e autonómicas”,
afirmou, sublinhando que as consequências sociais e económicas da crise
política na região estão ainda por avaliar.José
Manuel Rodrigues (CDS-PP) falava na sessão solene comemorativa do 25 de
Novembro de 1975, que decorreu na Assembleia Legislativa Regional, com a
presença das sete forças políticas representadas no hemiciclo (PSD, PS,
JPP, Chega, CDS-PP, PAN e IL), uma data que, na sua análise, assinala a
consagração da liberdade e da democracia em Portugal.“É
por isso que faz todo o sentido, sem complexos nem preconceitos,
comemorar o 25 de Abril e comemorar o 25 de Novembro”, afirmou,
lembrando que o parlamento da Madeira foi o primeiro a assinalar este
dia com sessão solene, no período entre 1997 e 2015. A comemoração foi retomada este ano com sessão solene, por via de propostas apresentadas pelo PSD e pelo Chega.José
Manuel Rodrigues, que ocupa do cargo de presidente da Assembleia
Legislativa na sequência de um acordo parlamentar entre o CDS-PP e o
PSD, partido que sustenta o governo regional minoritário liderado por
Miguel Albuquerque, recordou a instabilidade vivida em Portugal entre
1974 e 1975 e alertou para a atual crise política na região autónoma.“Nunca
se viveram dias tão turbulentos no sistema político regional”,
declarou, referindo-se à incerteza sobre o Orçamento da Madeira para
2025, cuja discussão decorre entre 09 e 12 de dezembro, e à moção de
censura ao Governo apresentada pelo Chega, com debate e votação marcados
para 17 de dezembro. O Chega justificou a
apresentação da moção com as investigações judiciais que estão a ser
feitas ao presidente do executivo e a quatro secretários regionais,
tendo todos sido constituídos arguidos em três processos distintos.José
Manuel Rodrigues considerou, no entanto, que a atual situação não deve
impedir o normal funcionamento das instituições e desafiou os partidos
para um pacto de estabilidade que “assegure a governabilidade da região
nos próximos tempos”.“Estou certo de que
todos os partidos e deputados querem o bem da nossa terra, e, por isso,
acredito que é possível chegar ao estabelecimento de um acordo de regime
que permita ultrapassar os condicionamentos e constrangimentos que
afetam o normal funcionamento das instituições do nosso sistema
político”, disse. O presidente da
Assembleia Legislativa da Madeira avisou que não é normal uma democracia
em que os órgãos de governo próprio não cumprem as legislaturas de
quatro anos e sublinhou que “muito mais anormal” é a realização de
eleições a cada seis meses. “Corremos o
risco de ter três eleições para esta Assembleia Legislativa no espaço de
500 dias”, disse, lembrando que “as últimas fazem amanhã [terça-feira]
seis meses”, numa referência às regionais antecipadas de 26 de maio.José
Manuel Rodrigues realçou que os partidos e os deputados têm “toda a
legitimidade” para exercer os poderes estatutários e constitucionais,
nomeadamente o de recusa do Orçamento e o de censura ao Governo, mas
advertiu para a importância de estabelecerem acordos. “Quando
o eleitorado deu a vitória a um partido [PSD], de forma inegável, mas
sem maioria absoluta, quis mandatar todas as forças políticas para que
negociassem entendimentos e acordos em nome dos superiores interesses da
Madeira e do Porto Santo”, avisou. Os
acontecimentos do 25 de Novembro de 1975, em que forças militares
antagónicas se defrontaram no terreno e venceu a chamada ala moderada do
Movimento das Forças Armadas (MFA), marcaram o fim do chamado Processo
Revolucionário Em Curso (PREC) e contribuíram para a consolidação da
democracia representativa em Portugal.