Presidente do parlamento açoriano defende revisão constitucional nos 50 anos da Autonomia
14 de out. de 2024, 17:00
— Susete Rodrigues/AO Online/Lusa
Durante um encontro parlamentar, que
teve lugar na manhã desta segunda-feira, na cidade da Horta, ilha
Faial, Luís Garcia, recordou que a Assembleia Legislativa Regional
já realizou um trabalho significativo, “com amplo consenso entre
os partidos representados e agora, temos de continuar este esforço a
nível nacional para garantir que a revisão constitucional reflita
as necessidades e interesses dos Açores”, disse citado em nota de
imprensa.
No contexto do aprofundamento da
autonomia, o presidente do parlamento açoriano evidenciou a urgência
da revisão da Lei das Finanças Regionais, a qual considera “uma
batalha dura, mas necessária e urgente”, sublinhando a importância
“de um esforço colaborativo” para alcançar uma solução eficaz
nestas matérias.
Luís Garcia destacou a necessidade de
promover uma cultura de diálogo e compromisso entre os deputados
eleitos para nos três parlamentos, sublinhando que “com
este encontro procuramos construir uma plataforma de entendimento e
ação conjunta na defesa dos superiores interesses da Região”.
Para o presidente da ALRAA, o sucesso
das políticas públicas depende da “nossa capacidade de diálogo e
de colaboração", ressaltando que é fundamental “promover
mais encontros desta natureza para fortalecer essas interações”.
Francisco César, líder do PS/Açores e deputado
à Assembleia da República, presente na reunião, elogiou a
iniciativa do presidente do parlamento açoriano na busca de consensos em
torno de matérias de interesse regional.“Tenho
sempre dito que há mais matérias que nos unem do que nos separam, em
alguns casos é apenas uma questão de forma”, justificou o deputado
socialista, acrescentando que, no que diz respeito à reforma da
autonomia, “o PS é favorável a que se avance, no tempo e no modo que
seja possível”.Na sua opinião, além de uma
revisão extraordinária da Constituição, que preveja um reforço das
autonomias regionais, é também fundamental avançar com a revisão da Lei
das Finanças das Regiões Autónomas e também com a denominada Lei do Mar
(Lei de Bases do Ordenamento e Gestão do Espaço Marítimo Nacional).“O
PS irá apresentar, em breve, uma proposta na Assembleia da República no
sentido de avançarmos com a gestão partilhada do mar”, revelou
Francisco César, adiantando que os socialistas esperam que os restantes
partidos possam acompanhar a iniciativa.Paulo
Nascimento Cabral, deputado açoriano do PSD ao Parlamento Europeu,
defendeu, por outro lado, uma “frente açoriana” não apenas na Assembleia
da República, mas também na Europa, para que todos estejam alinhados na
defesa dos temas estruturais.“Foi uma
iniciativa muito interessante, que permitiu que estivéssemos todos a
conversar à mesma mesa, para falar de assuntos que nos preocupam. Tem de
haver aqui uma voz forte, uma frente açoriana em Bruxelas, na República
e também nos Açores”, realçou.O deputado
europeu salientou ainda que o facto de não ter existido nenhum
parlamentar açoriano na Europa nos últimos cinco anos faz com que seja
necessário agora um longo caminho de sensibilização e de influência dos
órgãos regionais junto das instituições europeias.“O
que sugeri é que haja uma participação mais efetiva e mais frequente do
presidente da Assembleia Legislativa Regional ou de uma delegação de
deputados regionais, nas reuniões interparlamentares no Parlamento
Europeu, ou a possibilidade, que deve ser avaliada, de o Governo dos
Açores ter um gabinete de representação em Bruxelas”, defendeu o
eurodeputado social-democrata.