Presidente do parlamento açoriano acusa Tribunal Constitucional de centralismo
30 de ago. de 2023, 06:20
— Lusa/AO Online
“Discordamos
frontalmente desta decisão do Tribunal Constitucional, mas não nos
surpreende esta decisão, porque, na maioria das vezes, o Tribunal
Constitucional tem tido decisões muitos centralistas, muito restritivas
do poder da autonomia, ignorando os direitos das regiões autónomas”,
disse o presidente do parlamento açoriano, em declarações aos
jornalistas, na cidade da Horta.O TC
validou o decreto que descriminalizou as drogas sintéticas e fez
uma nova distinção entre tráfico e consumo, na sequência do pedido de
fiscalização preventiva apresentado pelo Presidente da República,
Marcelo Rebelo de Sousa.O chefe de Estado
tinha alegado que os órgãos das regiões autónomas da Madeira e Açores
não tinham sido consultados sobre este assunto, mas o presidente do
Tribunal Constitucional, José João Abrantes, justifica a decisão dizendo
que a matéria não diz respeito especificamente às regiões autónomas.Luís Garcia lamenta que este entendimento do TC
represente uma “machadada na autonomia regional”.“Esta
decisão do Tribunal Constitucional dá uma machadada na autonomia
regional porque faz jurisprudência sobre o direito de audição das
regiões autónomas, e tememos que, no futuro, não tenha outras
consequências noutras matérias”, advertiu.Luís
Garcia referiu-se também ao conteúdo do diploma sobre a
descriminalização da droga, alertando para as dificuldades que esta lei
irá provocar ao Serviço Regional de Saúde, caso venha a ser promulgada.“Temos
questões muito específicas sobre os Açores, temos uma problemática
grave sobre esta matéria e temos um setor da Saúde que é regionalizado e
o Serviço Regional de Saúde tem de se organizar para dar resposta à
aplicação desta lei”, insistiu o presidente do parlamento açoriano.