Presidente do México teve “conversa excelente” com Trump sobre imigração

28 de nov. de 2024, 11:01 — Lusa/AO Online

"Discutimos a estratégia mexicana face ao fenómeno migratório", anunciou a Presidente mexicana, numa publicação na conta oficial no X.Sheinbaum adiantou ainda que transmitiu a Donald Trump que "as caravanas [de migrantes] não chegam à fronteira norte porque são assistidas no México"."Falámos também sobre o reforço da colaboração em matéria de segurança e sobre a campanha que estamos a realizar no país para prevenir o consumo de fentanil", acrescentou a Presidente.O fentanil é uma droga sintética "aproximadamente 100 vezes mais potente do que a morfina e 50 vezes mais potente do que a heroína", segundo a Agência Anti-Droga dos EUA (DEA).Segundo Washington, o fentanil, muitas vezes produzido no México com compostos químicos, nomeadamente provenientes da China, causa mais de 70 mil mortes por 'overdose' todos os anos em solo americano.O presidente eleito republicano, Donald Trump, confirmou na segunda-feira a sua intenção de "impor taxas alfandegárias de 25% sobre todos os produtos que entram nos Estados Unidos" no México e no Canadá, a partir de 20 de janeiro, dia da sua posse."Este imposto permanecerá em vigor até que as drogas, especialmente o fentanil, e todos os imigrantes ilegais travem esta invasão do nosso país", acrescentou.Numa carta enviada ao seu futuro homólogo americano, Sheinbaum realçou que "não é através de ameaças ou tarifas alfandegárias que se vai impedir o fenómeno da imigração, nem o consumo de drogas nos Estados Unidos".A Presidente mexicana ameaçou, por sua vez, aumentar as tarifas alfandegárias mexicanas sobre os produtos americanos, lamentando que esta guerra comercial ameaçasse a competitividade, a inflação e o emprego na América do Norte."Tenho a certeza de que haverá um acordo com os Estados Unidos e o presidente Trump", detalhou a chefe de Estado, quando questionada numa conferência de imprensa em que leu a sua carta ao futuro presidente norte-americano.O ministro da Economia do México, Marcelo Ebrard, considerou hoje que os Estados Unidos estariam a "dar um tiro no pé" com o aumento de 25% das tarifas alfandegárias sobre as exportações mexicanas."O impacto nas empresas seria enorme", afirmou à comunicação social, estimando que a medida colocaria em causa 400 mil empregos nos Estados Unidos.O México, com 83% das suas exportações destinadas aos Estados Unidos, é membro do Acordo de Livre Comércio da América do Norte com os Estados Unidos e o Canadá (NAFTA).Várias empresas automóveis americanas estão sediadas no México.