Presidente do México diz que Castillo continua a ser líder “legal e legítimo” do Peru
30 de mar. de 2023, 11:59
— Lusa/AO Online
Obrador também realçou que o atual Governo do Peru é “racista” e deteve Castillo porque este é indígena.Estas
declarações foram a indicação mais contundente de que López Obrador não
reconhece a atual Presidente peruana, Dina Boluarte, noticiou a agência
Associated Press (AP).“Ele [Castillo] é o Presidente legal e legítimo. Ele sofreu um golpe”, referiu López Obrador em conferência de imprensa.“Não vão aceitar Pedro Castillo porque é serrano, é indígena”, acrescentou.Boluarte
assumiu o cargo em 07 de dezembro, na sequência da detenção do
Presidente Pedro Castillo, acusado de autogolpe de Estado.Castillo,
que foi o primeiro líder do Peru de origem rural andina, tem sido
associado a escândalos de corrupção depois da sua saída.O
Governo de López Obrador não anunciou que iria retirar o reconhecimento
formal do Governo de Boluarte, mas as relações entre os dois países
sofreram com a postura do Presidente mexicano.Em fevereiro, Boluarte retirou o embaixador do seu país no México em resposta a comentários anteriores de López Obrado.Desde
a detenção de Castillo, registaram-se fortes mobilizações populares que
exigiram a sua libertação, a demissão da sua vice-Presidente Dina
Boluarte, que assumiu a chefia do Estado, a antecipação das eleições, a
dissolução do parlamento e a convocação de uma assembleia constituinte.Os
protestos de rua no Peru foram enfrentados por ações policiais que
resultaram num total de 67 mortos, a maioria manifestantes, segundo as
autoridades peruanas.Embora López Obrador
tenha criticado a morte de manifestantes no Peru, o líder mexicano foi
criticado por fazer poucas declarações sobre as centenas de
nicaraguenses mortos ou exilados pelo Governo do Presidente Daniel
Ortega.A crise política que abala o Peru é
também reflexo do enorme fosso entre a capital e as províncias pobres
que apoiam Castillo, de origem ameríndia, que nunca foi aceite no
Palácio Presidencial pela elite e a oligarquia da capital, e pelos
principais ‘media’ na posse de empresários milionários.Num
relatório divulgado em finais de fevereiro, a Amnistia Internacional
(AI) denunciou a “violenta repressão do Estado” peruano contra os
protestos antigovernamentais no país e o “uso indiscriminado de armas
letais” contra manifestantes, para além de detenções arbitrárias e
outras violações dos direitos humanos, incluindo alegadas execuções
extrajudiciais.