Presidente do Governo dos Açores satisfeito só com reforço de verbas do Portugal 2030
11 de out. de 2018, 09:47
— Lusa/AO Online
“Satisfeito,
satisfeito, o que eu fico é com o reforço dos fundos para os Açores,
como fico satisfeito com o reforço dos fundos para a Madeira, como fico
satisfeito com o reforço de fundos para o país”, afirmou Vasco Cordeiro.O
socialista que preside ao executivo açoriano falava numa audição na
comissão eventual de acompanhamento da definição da “Estratégia Portugal
2030”, tendo notado que, “numa situação de redução e constrangimento no
orçamento comunitário”, o compromisso de que não haverá cortes “é uma
boa notícia”.“O
ideal era o reforço, e é o reforço de tudo, [mas] neste contexto e
depois de estar anunciada uma proposta de corte, não posso deixar de
valorar como positivo” o compromisso de um comissário europeu de “que
não haverá esse corte”, reforçou.O
governante regional, ouvido no âmbito do novo quadro financeiro
plurianual europeu 2021-2027, salientou, em resposta ao deputado
Fernando Rocha Andrade (PS), a importância de não se repetir a
burocracia do atual quadro comunitário, que começou em 2013, mas só teve
o lançamento dos programas operacionais em 2015.A
social-democrata Berta Cabral defendeu que a política de coesão deve
continuar “a ser a política privilegiada em relação a cada
Estado-membro”, porque é “a essência da construção europeia”.“A
posição do PSD é de garantir um reforço dos fundos comunitários
relativamente ao quadro anterior ou, na pior das hipóteses, a manutenção
do Fundo de Coesão, da Política Agrícola Comum [PAC] e da Pescas”,
vincou.O
deputado Ernesto Ferraz (BE) apontou a responsabilidade do centralismo
da Alemanha pela definição da política europeia, quando “dá as cartas” e
“ganha porque fica com os trunfos na mão”.O
presidente do Governo Regional dos Açores recusou que a Alemanha seja
“o único” país responsável pelas políticas centralistas europeias,
associando-lhe algumas das próprias instituições comunitárias, e
considerando positivo o que França, Espanha e Portugal têm feito em
relação às regiões ultraperiféricas (RUP) da Europa.“Não
poderíamos ter o turismo que temos se não tivéssemos a agricultura que
temos, tão simples quanto isso, do ponto de vista também, lá está, de
cuidar de uma paisagem que é motivo de atração da região”, disse Vasco
Cordeiro, apontando a importância do turismo para o setor agropecuário.O
deputado João Dias, do PCP, criticou a repartição dos fundos europeus
porque “nunca compensaram os países nos seus prejuízos”, nomeadamente no
setor leiteiro, em que o país poderia ser mais competitivo se não
sofresse também com a desregulação do mercado.O
governante regional argumentou que os problemas do setor leiteiro
derivam do embargo russo às importações do espaço comunitário e da
“retração ao nível mundial” no consumo, devido à difusão da ideia de que
o leite é prejudicial à saúde.Em
relação à transportadora aérea SATA, embora apenas tenha de responder
perante o parlamento açoriano, Vasco Cordeiro assumiu que os Açores
estiveram “sempre abertos”, e estão, para conversar sobre “de que forma é
que a SATA pode também servir os interesses da Região Autónoma da
Madeira”.O
governante escusou-se, no entanto, a pronunciar-se acerca de uma
eventual parceria com a Madeira, para a criação de um operador público
regional de transporte de passageiros e de mercadorias, como advogou o
BE, enquanto decorrer o processo de alienação de capital social da SATA
Internacional, transportadora que faz as ligações de e para o
arquipélago.