Presidente do Governo dos Açores rejeita ficar condicionado por narrativas bairristas

12 de mar. de 2026, 18:14 — Lusa/AO Online

“Eu não admitirei que a governação dos Açores fique condicionada a narrativas falsas do exercício bairrista. Mas antes a disponibilidade para dialogarmos e, com certeza, conhecermos as perspetivas de cada parte dos Açores. Para todos valorizarmos os Açores inteiros”, afirmou.O chefe do executivo açoriano falava em Angra do Heroísmo à margem de uma reunião com a mesa do Conselho de Ilha da Terceira, em que um dos assuntos discutidos foi o futuro do Serviço Regional de Saúde.José Manuel Bolieiro lembrou que o Programa de Governo já defendia que o Serviço Regional de Saúde “assenta em três hospitais que são complementares entre si” e assegurou que o executivo “não mudou de opinião”.“Todo o investimento que temos estado a fazer é para empoderar cada um dos hospitais, quer na capacidade de resposta atual que tem, quer no reforço da capacidade de resposta que terá no futuro para um Serviço Regional de Saúde cada vez mais robustecido, no domínio nacional e europeu”, frisou.“Nós não poderemos nem travar o desenvolvimento de um em nome de outro, nem tão bem empoderar um, sem valorizar, de forma equitativa, todos os outros”, reforçou.O chefe do executivo acrescentou que foi “claro” e “cristalino” também a defender, na sequência do incêndio no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em maio de 2024, que a região não faria um novo hospital, mas “uma solução de um hospital novo que possa robustecer a capacidade de resposta” do HDES, “no quadro da tripolaridade hospitalar dos Açores e na complementaridade dos três hospitais”.“Não há, pois, nada contraditório com o que está previsto no Programa do Governo ou com tentativas serôdias de centralismo. Ninguém impedirá o crescimento e o desenvolvimento de ninguém nos Açores”, sublinhou.No final da reunião com a mesa do Conselho de Ilha da Terceira, Bolieiro destacou a vontade de aproximação, de forma consensual, de uma ideia de desenvolvimento dos Açores, rejeitando “valorizar a lógica dos bairrismos e das divergências”.“Nós não funcionamos em nome de bairrismos. Nós funcionamos em nome da coesão dos Açores e da valorização de cada um dos nossos territórios e das complementaridades que nos têm fortalecido na história. Sempre que o bairrismo prevalece, enfraquecemos. Sempre que a coesão e a convergência regional vencem, nós fortalecemos”, reiterou.O presidente do Conselho de Ilha da Terceira, Marcos Couto, entregou ao presidente do Governo Regional um documento com a visão dos conselheiros para o setor da Saúde.“Defendemos a importância de um Serviço Regional de Saúde que funcione em complementaridade, com os três hospitais, que tenha uma visão muito forte e essencial sobre a fixação dos médicos e de profissionais de saúde e que possa crescer de forma a prestar melhores cuidados de saúde aos açorianos”, revelou, à saída da reunião.Marcos Couto, que, enquanto presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) e do Conselho de Ilha da Terceira, se tem manifestado preocupado com uma possível centralização de investimentos no hospital de Ponta Delgada, disse ter saído satisfeito com as garantias dadas pelo presidente do executivo açoriano.“Saímos obviamente satisfeitos. Existem muitos pontos em que existe perfeita sintonia entre aquilo que pensa o Conselho de Ilha e aquilo que nos foi transmitido pelo sr. presidente e pela sra. secretária [da Saúde]. Portanto, diria que é um processo que se irá construir ao longo dos próximos tempos, mas que é mais o que nos aproxima do que aquilo que nos afasta”, avançou.