Presidente do Governo dos Açores quer fim da "subsidiodependência de mão estendida"
16 de jul. de 2021, 10:11
— Lusa/AO Online
De acordo com um comunicado do Governo, numa intervenção na Assembleia
Legislativa Regional, José Manuel Bolieiro destacou que o atual Governo
(PSD/CDS-PP/PPM) criou um programa que visa a “mudança de paradigma” no
combate à pobreza, acrescentando ter a “profunda convicção” de que nas
causas se podem “atacar as consequências da pobreza”.
“Temos a profunda convicção de que nas causas podemos atacar as
consequências da pobreza e sim, o Programa do Governo, as Orientações de
Médio Prazo são um pressuposto planeamento que vão ao encontro desta
mudança e alteração das causas”, disse o líder do executivo.
O governante disse ter dado “prioridade máxima à educação, como
elevador social para combater a exclusão e promover a inclusão”.
Além disso, o Governo adotou “a saúde pública como elemento essencial
para garantir que o acesso à saúde transforme a sociedade, do presente e
do futuro”, tornando-a “mais capaz de contribuir para o trabalho, para a
felicidade e para a capacidade de criação”.
José Manuel Bolieiro adiantou ainda que o Governo Regional definiu “a
qualificação profissional como essencial para aumentar o nível das
qualificações das pessoas para o mundo da integração no mercado de
trabalho na produção da riqueza”.
“Apostamos numa desoneração fiscal”, para dar às empresas, famílias e
consumidores “mais rendimento disponível para as outras necessidades
essenciais da sua vida”, observou. O chefe
do executivo disse ainda que se potenciou “complementos remuneratórios
que compensassem e libertassem rendimentos para aqueles que não
beneficiam dessa redução fiscal e fruto do seu trabalho têm rendimentos
escassos para a dignificação do seu trabalho e da sua dedicação à
criação de riqueza”. Bolieiro disse ter-se
apostado na solidariedade, “apoiando com meios de sobrevivência quem
mais precisa” e através de uma “política de descentralização”,
envolvendo o poder local com meios para acudir às necessidades mais
emergentes. O responsável citou a aposta
no apoio às IPSS e Misericórdias, destacando-as “como auxiliares da
promoção e da inclusão na rede social pública", permitindo "acudir às
principais necessidades”. Para o
presidente do Governo, “o elemento habitacional é decisivo no combate à
pobreza, mas sobretudo na inclusão da sociedade”.
“Criámos complementos remuneratórios àqueles que são uma pobreza
envergonhada, designadamente os reformados, os pensionistas, e tivemos o
complemento aprovado aqui, por largo espetro dos deputados desta casa”,
lembrou. Numa declaração política, o
assunto foi abordado no Plenário pelo deputado do BE António Lima, de
acordo com quem “não será com este governo que os Açores mudarão” e que
“a pobreza e a desigualdade” vão diminuir nos Açores, descreve um
comunicado do partido. “Este governo tem
como opção de desenvolvimento para os Açores a mesma economia e a mesma
sociedade desigual, e além disso, para agradar ao Chega – parceiro que
suporta o Governo – ainda ataca aos pobres, nomeadamente aqueles que
recebem o RSI [Rendimento Social de Inserção], apontou hoje o líder do
Bloco de Esquerda no parlamento, citado numa nota de imprensa do
partido. De acordo com o comunicado,
António Lima “criticou a postura do Governo do PSD, CDS e PPM, com o
apoio do Chega e do IL, que chama subsídio-dependentes aos beneficiários
do RSI". O deputado frisou que, em 2020,
8,9% dos beneficiários do RSI tinham rendimentos do trabalho e 38,1% são
idosos e crianças, pelo que “praticamente metade dos beneficiários nos
Açores não pode trabalhar ou trabalha”.