Presidente do Governo dos Açores garante ter Saúde como "prioridade máxima"
30 de set. de 2021, 15:55
— Lusa/AO Online
José
Manuel Bolieiro falava na Assembleia Legislativa Regional dos Açores
(ALRA) durante o debate sobre o Serviço Regional de Saúde (SRS)
açoriano, a propósito de uma interpelação sobre o tema feita pelo grupo
parlamentar do BE.“Em nome do Governo,
fica aqui a clareza: para este Governo, a saúde é prioridade máxima. Não
há razão para transformar esta interpelação em perguntas que querem ser
insinuações. O esclarecimento aqui prestado [pelo secretário Regional
da Saúde, Clélio Meneses] não deixa dúvida sobre a atuação cristalina
nos últimos 10 meses”, frisou o chefe de governo, após cerca de três
horas de um debate que subiu de tom algumas vezes.De
acordo com Bolieiro, “a maioria dos profissionais de saúde que
reclamavam dignificação profissional têm o problema resolvido”. “Está tudo resolvido? Não. Mas muitos dos problemas estão”, vincou. Para
o governante, “os utentes estão hoje melhor servidos” e, não estando
“tudo resolvido”, podem “continuar a contar com o atual Governo para
usar todos os recursos para facilitar o acesso dos açorianos aos
cuidados de saúde”.A discussão ficou
particularmente acesa depois do intervalo da manhã, quando o deputado do
PS Tiago Lopes imputou ao secretário regional da Saúde e ao
social-democrata Pedro Nascimento Cabral “comportamentos
maníaco-depressivos” e posições políticas “do género bipolar”.Os
comentários foram interpretados como ataques pessoais e classificados
pelo secretário regional da Saúde como “humanamente desprezíveis”.Antes
da pausa, já o deputado social-democrata Pedro Nascimento Cabral se
tinha exaltado com uma intervenção de Nuno Barata, da Iniciativa
Liberal, a questionar números detalhados para recuperação de listas de
espera por tipos de cirurgias porque “tirar quistos sebáceos ou
amígdalas é fácil, o resto é que é mais difícil e o resto está por
fazer”.Nascimento Cabral respondeu que
“uma cirurgia é uma cirurgia, ponto”, frisando que “um pai que tenha o
filho para ser operado às adenoides e o veja sofrer, sem dormir, em
apneia do sono, também tem direito a ver o seu filho operado”.No
regresso da pausa, Barata não esqueceu o assunto: “Percebo que tenha
sofrido com o problema dos adenoides de um dos seus descendentes. Mas
uma cirurgia não é uma cirurgia. Muitas famílias açorianas continuam a
sofrer com cataratas, à espera de próteses ou de tratar hérnias”,
observou. “O que eu disse é que há
cirurgias mais urgentes e não me responderam à pergunta, que me parece
legítima. Posso estar velho, mas não tão velho como julgam que estou.
Não me vou embora quando os senhores entenderem. Todos temos a mesma
idade física, a da legitimidade democrática”, avisou, respondendo à
intervenção de Pedro Pinto, do CDS-PP.Isto,
depois de o deputado “centrista” ter dito que há nos Açores “um partido
que acha que há pessoas que não merecem ser operadas” e que “critica,
ou pelo menos sente-se incomodado com a redução de lista espera”.Reconhecendo
ter cometido “excessos” ao longo do tempo que está no parlamento, Paulo
Estêvão, do PPM, considerou inapropriadas as expressões do socialista
Tiago Lopes e acusou PS e BE de tentarem fazer um “debate de
casozinhos”.António Lima, do BE, justiçou a
interpelação ao Governo “devido a práticas de promiscuidade entre setor
público e privado que podem tornar-se não só prejudiciais à boa gestão
da coisa pública, mas também potencialmente geradoras de práticas de
corrupção, não sabendo nós se já estão ou não instaladas”.“O
Bloco de Esquerda toma a iniciativa de interpelar o Governo regional
sobre o funcionamento do Sistema Regional de Saúde pelo facto de se
adensarem situações que não auguram nada de bom”, disse.Relativamente
ao Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, o BE
observou que “só os arranjos políticos da coligação poderão justificar a
substituição do anterior Conselho de Administração e a nomeação e
manutenção do atual”. Também o socialista
Tiago Lopes se referiu à “inexplicável turbulência no HDES”, citando o
ataque informático de que foi alvo e “a nomeação do marido da presidente
do Conselho de Administração”.