Bolieiro diz que chumbo é decisão “soberana” da Assembleia da República
27 de out. de 2021, 18:36
— Lusa/AOonline
José Manuel
Bolieiro, que falava aos jornalistas no concelho de Velas, na ilha de
São Jorge, onde se encontra em visita oficial, recusou que a situação na
República provoque “uma afetação imediata” do Orçamento Regional dos
Açores para 2022, que deve ser votado na Assembleia Legislativa em
novembro, “tendo em conta o funcionamento em duodécimos relativamente do
OE”, mas alertou para “consequências, por exemplo, em relação às
propostas para a SATA quanto ao endividamento”.“Obviamente
que isso implica, o que estamos, aliás, a fazer, conhecer o evoluir das
negociações com a União Europeia para o plano de reestruturação da SATA
e, depois, ter as negociações com a República e ver qual é o figurino
do novo Orçamento do Estado, já no quadro de um novo governo, como se
antevê, após [eleições] legislativas nacionais”.Para
o chefe do executivo açoriano, o cenário de crise política “no
imediato, não interfere” com a Região Autónoma “porque as transferências
serão feitas por via dos duodécimos”.Contudo,
“tendo em conta a previsão que a Lei de Finanças das Regiões Autónomas
determinou para as transferências relativas a 2021, sim, pode ser
benéfico para a região”.“Isso
não coloca uma situação de imprudência, mas de reforço, porque depois
haverá acerto de contas com o próximo Orçamento do Estado”, observou. Questionado
sobre se a crise política terá reflexos na região, Bolieiro referiu que
“por parte deste Governo, não, que está estável e consolidado”.“No quadro parlamentar, cada um assume as suas responsabilidades, estando o executivo sereno”, notou.Já
na qualidade de líder do PSD/Açores e sobre a disputa interna do
partido entre Rui Rio e Paulo Rangel, José Manuel Bolieiro declarou que
“as decisões dos órgãos nacionais é que vão ser pertinentes e
determinantes nessa matéria”.O
parlamento ‘chumbou’ hoje a proposta de Orçamento do Estado para 2022
(OE2022) com os votos contra do PSD, BE, PCP, CDS-PP, PEV, Chega e IL.Na
votação na generalidade, no plenário da Assembleia da República, o PS
foi o único partido a votar a favor da proposta orçamental, que mereceu
as abstenções do PAN e das duas deputadas não-inscritas, Joacine Katar
Moreira e Cristina Rodrigues.No total, 108 deputados votaram a favor, cinco abstiveram-se e 117 votaram contra.O
primeiro-ministro António Costa salientou que, na sequência do chumbo
do Orçamento para 2022, no parlamento, o seu Governo se manterá em
funções mesmo em regime de duodécimos, alegando que não vira as costas à
adversidade.Sobre
a intenção já comunicada pelo Presidente da República de dissolver a
Assembleia da República, Costa disse que, se houver eleições
legislativas antecipadas, o PS lá estará “para prestar contas e
mobilizar os portugueses para criar as condições de governabilidade que
hoje deixarão de existir”.