Presidente do Governo dos Açores defende agenda para a década sem "interesses de circunstância"
21 de dez. de 2021, 10:18
— Lusa/AO Online
“A
nossa agenda tem de ser de década. Temos de pensar que a ação das
políticas públicas associadas ao empreendedorismo do nosso funcionamento
em economia de mercado, na qualificação de excelência dos nossos
recursos humanos, é para a década e não para a espuma do dia ou para o
ano. A anualidade de planos e orçamentos é um percurso não é a
essência”, afirmou o chefe do executivo açoriano.José
Manuel Bolieiro falava segunda-feira à noite, em Angra do
Heroísmo, na sétima edição Fórum Autonómico, que o executivo tem vindo a
promover em várias ilhas e que desta vez contou com a participação do
eurodeputado social-democrata José Manuel Fernandes.O
presidente do Governo Regional, da coligação PSD/CDS-PP/PPM, que tomou
posse em novembro de 2020, considerou que “é preciso ter coragem e não
ceder ao ruído”.Segundo José Manuel
Bolieiro, o Executivo não se pode comover “com o exercício de alguma
lógica de grupelho, de interesses de circunstância que procuram
contrariar a visão estratégica, que exige sacrifício numa determinada
fase”, mas “tem um rumo traçado para uma perspetiva de médio e longo
prazo de sucesso”.“É um desafio que não é
fácil de vencer, sobretudo se nos convencermos que a comodidade de
encontrar toda a gente satisfeita apenas porque atuamos em função da
espuma do dia, é uma tranquilidade quotidiana, mas é um percurso ao
precipício”, sublinhou.Para mudar de
paradigma, é preciso uma reflexão estratégica “pensada com objetivos a
alcançar por uma década”, de civilização, identidade, povo e de
referência geopolítica, demográfica e económica, defendeu José Manuel
Bolieiro.“Os paradigmas que nos atrasam e
amarram ao subdesenvolvimento têm de ser alterados e temos de ter
capacidade de rutura”, frisou, alegando que a região não pode “ter medo
do desafio novo ou inovador para alcançar estrategicamente um novo
rumo”.Se os Açores não mudarem de
paradigma podem tornar-se “mais periféricos” e “mais irrelevantes” na
competitividade global, apesar dos instrumentos financeiros
comunitários e das potencialidades dos seus recursos endógenos, alertou o
presidente do Governo Regional.Bolieiro
apelou, por isso, a uma maior participação cívica da população na
definição do próximo programa operacional de fundos comunitários dos
Açores, não com “interesse pessoal”, mas com “sentido estratégico” de
“aproveitar uma alavanca financeira para mudar o paradigma da pobreza e
da incapacidade de aproveitamento dos recursos endógenos para criação de
riqueza”.O presidente do Governo Regional
disse que a região pode dar lições à Europa sobre sustentabilidade
global, “na componente ambiental, social e económica”, e apelou ao
eurodeputado José Manuel Fernandes para que divulgue “a vontade de
participação que os Açores têm no contexto europeu”.“Temos cá competências e condições que interessam ao país, que interessam à Europa. É preciso fazer esta pedagogia”, avançou.José
Manuel Fernandes considerou que os Açores têm oportunidades para
desenvolver investigação, por exemplo, nas áreas do mar e do espaço e
sugeriu a criação de consórcios para aproveitamento dos fundos
comunitários.À imagem do Plano Junker, em
que participou como relator, disse que a região podia tentar um “plano
Bolieiro”, em que se juntassem subvenções e empréstimos.O
eurodeputado criticou, por outro lado, a falta de articulação em
Portugal entre os diferentes programas de apoio comunitário e a falta de
definição de objetivos de longo prazo.“Devíamos
ter definido o que queríamos. Que Portugal é que queremos em 2030 e que
objetivos é que nós queremos em termos de produtividade,
competitividade, exportação, combate à pobreza em termos da melhoria dos
próprios salários, da educação?”, apontou.“Deviam
ter feito fóruns deste tipo, envolvendo todos na definição do que devia
ser o Plano de Recuperação e Resiliência, na definição do Portugal
2030. Deviam estar articulados”, acrescentou.