Presidente do Governo dos Açores admite auditoria à SATA e quer “responsabilização”
23 de dez. de 2020, 07:15
— Lusa/AO Online
“Esta
já é praticamente uma inevitabilidade e, portanto, a própria
administração, com recomendação do acionista, terá, obviamente, de
prestar contas”, afirmou José Manuel Bolieiro em relação à
possibilidade de instaurar uma auditoria à companhia aérea açoriana.O
líder do executivo regional, de coligação PSD/CDS/PPM, falava em
conferência de imprensa conjunta com o líder regional da UGT/Açores,
Francisco Pimentel, que pediu “que seja feita uma auditoria, ou uma
investigação, àquilo que foi a responsabilidade de sucessivos dirigentes
da SATA, de sucessivos conselhos de administração da SATA”.Para
o dirigente sindical, que foi recebido em audiência no Palácio de
Santana, em Ponta Delgada, “aqui a culpa não pode morrer solteira e têm
de ser os gestores públicos deste país responsáveis pela boa ou má
gestão”.“Não podem os trabalhadores ser
sistematicamente o bode expiatório da má gestão ou de gestão danosa das
empresas públicas e, neste caso, a SATA é fundamental para alavancar a
economia num setor fundamental, que é o setor turístico”, prosseguiu.José
Manuel Bolieiro defendeu que é “entendimento da região, representada
pelo Governo nessas matérias, saber das contas e exigir uma autonomia de
responsabilização e responsabilidade aos gestores públicos”.Este
executivo irá adotar uma “atitude governativa de assegurar
independência e autonomia na gestão profissionalizada do Setor Público
Empresarial Regional, sem intromissão do Governo da Região Autónoma dos
Açores”.“O Governo, enquanto representante
do acionista Região Autónoma dos Açores, determinará as obrigações de
serviço público, assegurará absoluto escrutínio relativamente ao
cumprimento destas obrigações e compromisso quanto à subvenção pública
que lhe compete e o obriga a estabelecer” com essas empresas, e
“obviamente que também [está] disponível para o exercício de prestação
de contas”.O social-democrata demonstrou
ainda a sua solidariedade para “com os trabalhadores” da companhia
aérea, garantindo que o Governo “tudo fará para salvar a empresa” e para
garantir a “manutenção dos empregos”.No
final do encontro entre o governante e a UGT, Francisco Pimentel
reiterou a importância de olhar para a “economia de pandemia”, tomando
medidas “para salvaguardas as empresas e, com isso, salvaguardar os
empregos”, mas também para a economia de pós-pandemia.Para
o sindicalista, depois de ultrapassado o período crítico da crise
sanitária, “é preciso apostar no desenvolvimento”, o que passa por
“apostar na diversificação da economia, na criação de emprego, criação
de empresas, atração de empresas e de investimento para a região”,
alertando, ainda, para a importância de “recuperar o setor turístico”.O
representante regional da União Geral de Trabalhadores disse também que
recebeu com “agrado o facto de o Governo ter assumido no seu programa a
redução da carga fiscal”.“Para nós,
baixar o IRS até ao limite legal possível é também devolver rendimento
aos trabalhadores e às suas famílias e era uma medida que urgia tomar”,
afirmou.