Presidente do COP insta Governo a apresentar estratégia clara e exequível para o desporto
15 de nov. de 2024, 12:33
— Lusa/AO Online
“O desporto em
Portugal precisa de mais apoio, de mais investimento, de mais estrutura,
de melhores políticas. Devemos olhar para o futuro com uma visão clara e
definida. O COP não pode ser uma instituição isolada, por vezes a
pregar no deserto. Entendo esta instituição como um pilar de um sistema
desportivo mais amplo e mais forte”, evidenciou. A
discursar na cerimónia da Celebração Olímpica, a decorrer em Lisboa,
Artur Lopes defendeu que “o futuro do desporto em Portugal depende de
uma colaboração eficaz entre o COP e todos os atores sociais que
acreditam no potencial transformador do desporto”.Dirigindo-se
ao Governo, representado neste evento pelo ministro dos Assuntos
Parlamentares, Pedro Duarte, responsável pela tutela do desporto, mas
também “a todos os líderes nacionais”, questionou qual é a visão que têm
para o organismo. “Qual o seu papel na
construção de outro futuro do desporto português, que não se vislumbra
das medidas avulsas, fragmentadas, reativas e destruturadas das últimas
décadas? Qual o contributo que o Governo e os líderes políticos estão
dispostos a dar para resgatar a política desportiva deste país da
insignificância das suas prioridades e assegurar um futuro mais próspero
para o desporto português?”, perguntou.Artur
Lopes defendeu que, para o COP poder evoluir, é essencial o apoio dos
líderes políticos, “das forças vivas da sociedade” e de todos os
portugueses, “e não apenas durante as semanas que duram os Jogos
Olímpicos”.“É fundamental assegurar uma
estratégia clara e exequível para o desporto nacional, corrigindo as
disparidades que persistem quando olhamos para os nossos paupérrimos
índices de desenvolvimento desportivo. Queremos deixar de ser
periféricos e irrelevantes nesses indicadores. Queremos construir um
outro, e melhor, desporto”, afirmou.Para o
presidente do COP, Portugal precisa “de um modelo mais sustentado, mais
moderno, mais exigente e mais eficaz” de desenvolvimento do desporto,
que seja “relevante na agenda do país”. Antes,
na sua intervenção, o máximo dirigente desportivo nacional tinha
enaltecido a importância desta cerimónia para “celebrar o sucesso e as
conquistas” dos atletas portugueses nos Jogos Olímpicos Paris2024.“A
sua coragem, perseverança e espírito de superação, aliados ao talento
que demonstraram, são motivo de imenso orgulho para o nosso país. Cada
um de vocês representa a excelência do desporto português com a
responsabilidade de contribuir para que, a cada dia, o nosso país seja
mais respeitado internacionalmente”, notou.Artur
Lopes não se ‘esqueceu’ também dos treinadores, “pilares essenciais na
construção do sucesso”, dos árbitros e juízes, “que têm um papel vital
na integridade de qualquer competição”, dos técnicos, “que cuidam de
todos os detalhes logísticos e organizativos, garantindo que tudo corra
com perfeição”, ou dos dirigentes.“Um
agradecimento muito especial, neste momento, aos funcionários e
colaboradores do COP, cujos esforços incansáveis muitas vezes ficam nos
bastidores, mas são absolutamente fundamentais para o nosso sucesso
coletivo”, salientou ainda.Notando que o
COP é, “sem dúvida, uma equipa unida e forte”, Lopes lembrou a
importância de José Manuel Constantino, “o eterno presidente”.“A
sua partida deixou-nos a todos com um grande vazio, mas o seu legado
permanece vivo e continuará a inspirar-nos por muitas gerações. Durante o
tempo em que esteve à frente do COP, José Manuel Constantino foi um
líder visionário, sempre atento às necessidades dos atletas e das
instituições que compõem o nosso movimento desportivo”, notou.Artur
Lopes assumiu a presidência do COP após a morte de José Manuel
Constantino, o pensador do desporto que liderou o organismo entre março
de 2013 e 11 de agosto, quando faleceu vítima de doença prolongada.“Sob
a sua liderança, o COP […] tornou-se um símbolo de ética, de
compromisso com o desporto e de uma ação concreta em prol do
desenvolvimento de Portugal no contexto desportivo mundial”, realçou.A finalizar, salientou que “as eleições de março de 2025 representarão um marco decisivo” para o COP.“O
processo eleitoral deve ser conduzido com dignidade e respeito pela
história e pela importância do COP. Uma instituição que projete o melhor
do desporto e de ser português”, concluiu.