Presidente do COP está "preocupado" com "escalada" entre Évora e Pichardo
14 de mar. de 2023, 12:27
— Lusa/AO Online
“Estou
preocupado com a escalada que o debate atingiu e espero, naturalmente,
que haja da parte de todos alguma contenção relativamente ao que se vai
dizendo. Os atletas têm todo o direito de se expressarem e exprimirem os
seus pontos de vista relativamente a tudo aquilo que envolve a sua
preparação desportiva e os processos desportivos do país. Isso é
desejável. Mas os atletas, como o presidente do COP, têm que ter algum
sentido de responsabilidade e têm que perceber que não podem dizer tudo
aquilo que pensam e têm de pensar muito naquilo que dizem, atendendo à
repercussão pública que têm as afirmações que produzem”, defendeu, em
declarações à agência Lusa.José Manuel
Constantino revelou-se surpreendido não apenas com “a escalada” na troca
de palavras entre Évora, campeão olímpico do triplo salto em
Pequim2008, e Pichardo, ouro na mesma disciplina em Tóquio2020, mas
também com “os termos utilizados”. O presidente do COP prosseguiu enaltecendo o facto de estarmos “perante dois grandes atletas”. “O
Nelson, que teve sucesso desportivo extraordinário, em condições
difíceis, e que superou aquilo que eram as suas próprias limitações do
ponto de vista físico e deu um exemplo de perseverança e de tenacidade
que é, de facto, louvável e que, naturalmente, o país tem que estar
reconhecido e tem que registar”, começou por notar.Sobre
o atual campeão olímpico do triplo salto, Constantino lembrou que
“escolheu Portugal para viver, escolheu Portugal para competir e tem
sido um exemplo, do ponto de vista desportivo, de permanente superação”.
“É alguém que continua a colocar
objetivos do ponto de vista desportivo que evidenciam estarmos perante
uma pessoa e um atleta que está sempre insatisfeito relativamente àquilo
que atinge e àquilo que consegue”, completou.Assim, segundo o presidente do COP, “o país tem que estar grato, quer a um, quer a outro”.“E
aquilo que eu espero, não é que se tornem amigos, mas é que cada um
possa, no espaço da sua intervenção, respeitar aquilo do ponto de vista
desportivo que foi alcançado e darem ao país um exemplo do ponto de
vista das afirmações que produzem, que não ultrapassem aquilo que é
socialmente aceitável. Um atleta, como o presidente do COP, tem também
responsabilidades do ponto de vista social. Não pode transmitir imagens,
opiniões que de algum modo desvalorizem aquilo que é o seu valor
desportivo. E o seu valor desportivo, quer no caso de um, quer no caso
de outro, é muito elevado”, vincou.José
Manuel Constantino ainda não falou com os dois atletas, porque acredita
que, “neste momento”, é preciso “deixar passar algum tempo”. “Devemos
deixar que o clima esteja mais favorável e devemos depois,
naturalmente, ter a oportunidade de conversar quer com um, quer com
outro”, concluiu.Nelson Évora referiu no
domingo, em entrevista à rádio Observador, que Pichardo tinha sido
comprado, contestando ainda a rapidez no seu processo de naturalização,
em contraponto com o seu.Na sequência da
entrevista do saltador de 38 anos, também campeão do mundo em Osaka2007 e
da Europa em Berlim2018 e ‘indoor’ em Praga2015 e Belgrado2017,
Pichardo, que já lhe reeditou o historial, ao juntar ao título olímpico
ao mundial e europeu ao ar livre, em Oregon2022 e Munique2022, e aos
dois europeus em pista coberta, em Torun2021 e Istambul2023, acusou-o,
através da sua página oficial no Instagram, de lhe faltar ao respeito.Pichardo
foi contratado pelo Benfica em abril de 2017, na sequência da
transferência de Évora para o Sporting, depois de ter desertado da
concentração da seleção cubana, em Estugarda, na Alemanha.