Presidente do COP aconselha sucessor "a deixar a casa como está"
12 de nov. de 2024, 11:03
— Ana Marques Gonçalves/Lusa/AO Online
“É
fácil substituir [Constantino] se alguém que vier não quiser tornar a
missão impossível. Impossível se quiser começar a alterar a casa tal
como ela está. Criar coisas ou modificar coisas em sítios onde está tudo
mais ou menos correto. Haverá aqui e ali que aperfeiçoar, mas basta
isso para fazer um mandato ótimo, porque está tudo montado nesta casa. O
trabalho árduo que foi feito já está a funcionar. O comboio está a
andar, basta manter a carruagem no mesmo trilho”, analisou.Com
as eleições para a presidência do organismo previstas para o primeiro
trimestre de 2025 e um candidato – Laurentino Dias – já anunciado, Artur
Lopes antecipa que “as coisas poderão não andar muito bem” se o próximo
líder do Comité Olímpico de Portugal (COP) optar por “complicar” a sua
tarefa, apostando em deixar o seu cunho e “alterar isto, criar aquilo”. “Se
é que me é permitido dar algum conselho ao vindouro, que deixe estar a
casa como está. Que continue a trabalhar e a aprofundar o trabalho que
está feito. Com essa manutenção, vai ao fim desses quatro anos chegar a
um bom resultado seguramente, porque tem aqui técnicos em todas as áreas
de qualidade suficiente para responder aos desafios”, salientou, em
entrevista à agência Lusa.Artur Lopes
assumiu a presidência do COP depois da morte de José Manuel Constantino,
o pensador do desporto que liderou o organismo entre março de 2013 e 11
de agosto, quando faleceu vítima de doença prolongada.“Sabe
a minha relação muito profunda, pessoal e humana com José Manuel
Constantino e a admiração que eu tinha e continuo a ter por ele, tudo
aquilo que ele representou para o desporto nacional. O desporto que não
era a minha profissão mas que eu abracei como hobby e acabou por ser
parte bastante importante da minha vida. A comissão executiva entendeu
que devia ser eu a avançar”, recordou. Antigo
presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, foi vice-presidente do
COP há 24 anos, tendo iniciado funções com Vicente Moura e cumprido os
três mandatos de José Manuel Constantino.“Depois,
teve de haver uma retificação com a assembleia eleitoral [plenária],
com todas as federações, que me deu o prazer e a honra de uma
unanimidade. Não por mim, mas se calhar por aquilo que eu representava
em relação ao que vinha diretamente do José Manuel”, evidenciou.Artur
Lopes irá exercer funções até ao fim do mandato da atual equipa,
reconhecendo que o trabalho à frente do COP é “mais do que pensava”. “Mas
devo dizer que faço [o trabalho] não com orgulho, mas com muita força
no sentido de não desapontar” José Manuel Constantino, confidenciou,
revelando ainda que muitas vezes se questiona o que faria o antigo
presidente no seu lugar.O líder do COP
admite mesmo que as pessoas do organismo possam gostar menos de si do
que de Constantino, “porque ele era, de facto, adorável em tudo”. “Era
uma pessoa que conseguia controlar as situações, não sabia dizer que
não, mas esta casa ainda tem, fruto de muitas situações, problemas
económicos que tem que resolver e que, portanto, só há uma maneira de
resolver. Às vezes, é cortar em […] algumas ‘gorduras’. Não no
essencial, não no que é famoso e que esta casa criou e deu a fama que
tem, mas em questões mais supérfluas, que as pessoas terão de
compreender”, referiu. Constantino
quereria deixar “seguramente” um legado de qualidade, segundo Lopes. “Já
está. De qualidade e quantidade, já está. De imagem, já está. E
equilibrado sobre o ponto de vista económico – temos que, até ao fim de
março, fazer um trabalho árduo para que ele fique muitíssimo bem
equilibrado para o [presidente] vindouro. E aí é a única coisa que posso
ter de fazer até ao fim do ano, porque toda a equipa que aqui existe
apoia o presidente de uma maneira. Eu ando aí ao colo”, elogiou.