Presidente do Brasil incentiva investidores estrangeiros e garante reformas
Covid-19
26 de jan. de 2021, 18:18
— Lusa/AO Online
Bolsonaro participou de uma
videoconferência organizada pelo banco Credit Suisse e prometeu
recuperar a austeridade fiscal plena em 2021, após os gastos
extraordinários que o país realizou no ano passado exigidos pelo combate
à pandemia de covid-19.“Na área fiscal,
vamos manter o firme compromisso com as regras do teto de gastos”, que
limitam o aumento do Orçamento do Estado, “com a sustentabilidade e
credibilidade económica”, disse Bolsonaro, ao lado do ministro da
Economia, Paulo Guedes.“Não vamos permitir
que medidas temporárias relacionadas com a crise se tornem compromissos
de gastos permanentes”, acrescentou, aludindo aos subsídios que o seu
Governo destinou aos mais pobres e desempregados durante o ano passado.Neste
quadro, o chefe de Estado brasileiro assegurou que em 2021 “o programa
de privatizações será acelerado e a melhoria do ambiente de negócios
continuará”, com uma simplificação dos processos burocráticos que
tornarão mais atrativa a “carteira de projetos estratégicos de longo
prazo” que o Brasil tem, principalmente na área de infraestruturas.Desde
janeiro de 2019, quando o líder conservador assumiu o poder com uma
agenda económica ultraliberal, o Governo brasileiro elaborou uma lista
com pouco mais de 100 empresas estatais que pretende transferir para o
setor privado.No entanto, esses planos têm
colidido com pouco interesse dos investidores, que foi agravado pela
pandemia de covid-19, e alguma resistência do Congresso, que tem de
autorizar a privatização de algumas das empresas.O
novo coronavírus deixou graves consequências económicas no Brasil, que
se refletem nas projeções de queda do Produto Interno Bruto (PIB), em
4,5% para 2020, e uma situação fiscal totalmente deteriorada, agravada
por uma redução acentuada da arrecadação de impostos e pelo desemprego
crescente, que atinge cerca de 14% da população brasileira. O
Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais
atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo maior número de mortos
(217,664 mortos em mais de 8,8 milhões de casos), depois dos Estados
Unidos.