Presidente da SATA diz que está preparado para passar ao plano B

Hoje 09:23 — Paula Gouveia

O presidente da SATA Holding, Tiago Santos, revelou, na entrevista concedida na segunda-feira à RTP/Açores, quais as razões pelas quais a proposta final  de compra da maioria do capital social da Azores Airlines, apresentada pelo consórcio Newtour/MS Aviation (que se autodenomina agora Atlantic Connect Group), “não serve os interesses da companhia, não serve os interesses dos açorianos, e não serve os interesses do Governo Regional”.“Estamos mais do que preparados para passar ao Plano B”, afirmou Tiago Santos, referindo-se à abertura da negociação direta com eventuais interessados na privatização. O presidente da SATA explicou que será necessário esperar pelo relatório final do Júri, - que, ao que o Açoriano Oriental apurou estará concluído na próxima semana, altura em que o Governo o irá apreciar para uma decisão final -, e se a avaliação do júri se mantiver perante os argumentos do consórcio no âmbito da audiência prévia, “o processo  fecha, o consórcio é informado dessa decisão, e o consórcio pode fazer as diligências que considere adequadas, mas nenhuma dessas diligências impedem que o Plano B comece”, sustentou o presidente da SATA.Tiago Santos enunciou os pontos da proposta do consórcio privado que não salvaguardam os interesses da companhia: “Para cumprir a lei, o preço de venda do ativo teria de ser incrementado” dos 6,8 milhões para 20 milhões de euros, e “é verdade que foi incrementado - cumpre o requisito que foi definido”, mas a proposta tem “uma característica muito peculiar é que o preço será pago à SATA Holding dependente de um conjunto de evoluções financeiras da Azores Airlines no pós-privatização, ou seja é um preço não garantido e não fechado”.Um outro aspeto “marcante” da proposta final do consórcio é que estava previsto na sua proposta inicial que haveria uma injeção de 15 milhões de euros na companhia aérea - o que já então “o júri considerou insuficiente”, e “a surpresa é que a proposta agora apresentada é de uma injeção de zero euros”.E há ainda uma outra questão fulcral: “um dos pressupostos base do caderno de encargos era que todos os colaboradores da Azores Airlines seriam recebidos pelo consórcio privado. Mas na proposta final houve uma revisão relevante desta abordagem e todos os trabalhadores não voo ficariam do lado da SATAHolding e, depois a posteriori, sem grande evidência de que forma,  o privado iria escolher alguns trabalhadores”, revelou Tiago Santos.“Há um outro aspeto surpreendente do ponto de vista de quem acompanhou as sessões de negociação que é o facto do privado ter proposto que a SATA Holding teria de fazer face a custos de manutenção futuros da companhia, mesmo quando é o operador a fazer a gestão direta, e sem qualquer limite de risco ou de responsabilidade”, adiantou também o presidente da SATA Holding.Tiago Santos dá o exemplo de um negócio de táxi: “Imagine que tinha um negócio que era um táxi e que queria vender a alguém esse negócio, estando o táxi a funcionar, acabado de sair da manutenção, e a proposta que recebemos foi: o carro vale x mas não lhe pago já, pago-lhe a seguir se isto correr bem; o negócio precisa de investimento para ficar mais eficiente, mas o comprador não injeta, quem injeta é o vendedor e no final, a manutenção futura dos próximos cinco anos do táxi é o vendedor e não o comprador que suporta”.O responsável pelo destino das empresas da SATA Holding sublinha que este foi “um processo longo, durou todo o ano de 2025, marcado por um conjunto de conversas, de reuniões, de sessões de negociação com o consórcio”, e “grande parte destes aspetos foram reiteradamente referidos ao consórcio durante o processo de negociação”. Contudo, “na proposta final está um conjunto de propostas adicionais que nunca tinham sido discutidas”, diz. Propostas que “passam mais responsabilidade para o Governo Regional e para a SATA”.Tiago Santos acredita que  o processo de privatização da Azores Airlines chegará a bom porto, apesar deste revés: numa fase de negociação particular que explicou “pode ser tudo o que queiramos, incluindo similar a um concurso público”, haverá “aspetos que é possível melhorar”, salientando que o conselho de administração está convicto que “melhorando estes aspetos teremos entidades privadas interessadas na futura Azores Airlines” e que será possível “chegar a um acordo até ao final do ano”.Quanto à hipótese de um acordo estratégico com a TAP, como alguns partidos têm defendido, o presidente da SATA considera que “nesta fase eu diria que é difícil haver uma alteração ao modelo de privatização da TAP para incorporar a Azores Airlines”.