Presidente da República recebe hoje o primeiro-ministro e os partidos
Covid-19
2 de nov. de 2020, 11:09
— Lusa/AO Online
António Costa será recebido
por Marcelo Rebelo de Sousa, após uma curta cerimónia de
homenagem aos mortos, em especial às vítimas da covid-19, junto ao
Palácio de Belém, em Lisboa, em dia de luto nacional, em que
participarão o chefe de Estado, o primeiro-ministro e o presidente da
Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.As
audiências aos partidos estão marcada, por ordem crescente de representação parlamentar: Iniciativa Liberal,
Chega, PEV, PAN, CDS-PP, PCP, BE, PSD - por videoconferência - e PS.No
sábado, António Costa anunciou ter pedido uma audiência ao Presidente
da República para lhe transmitir a posição do Governo sobre uma eventual
declaração do estado de emergência aplicável aos concelhos com mais de
240 infetados com o novo coronavírus por 100 mil habitantes nos últimos
14 dias.Em conferência de imprensa, no
final de uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, no Palácio
Nacional da Ajuda, em Lisboa, António Costa acrescentou que só iria
divulgar a posição do Governo sobre esta matéria depois de a revelar ao
Presidente da República.Questionado sobre
um eventual recolher obrigatório, o primeiro-ministro respondeu que
"essa medida nunca poderia ser adotada com as competências
constitucionais de que o Governo dispõe".Para
já, na reunião de sábado o Governo decidiu, ao abrigo da Lei de Bases
da Proteção Civil, renovar a situação de calamidade em todo o território
continental, das 00:00 horas da próxima quarta-feira até às 23:59 de 15
de novembro, e aplicar medidas especiais em 121 concelhos que têm mais
de 240 casos de infeção por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias,
incluindo um "dever de permanência no domicílio", teletrabalho
obrigatório, e encerramento do comércio até às 22h00 e dos restaurantes
até às 22h30.Antes de anunciar estas medidas, o primeiro-ministro ouviu os nove partidos com assento parlamentar, na sexta-feira.O
PAN revelou que o Governo colocou em cima da mesa a hipótese de um
confinamento geral na primeira quinzena de dezembro para preservar o
período de Natal, o que requer vigência de estado de emergência.O
primeiro-ministro confirmou no sábado que isso foi discutido com os
partidos, mas adiantou que "houve uma opinião generalizada de que era
absolutamente prematuro" estar agora "a pensar o que fazer em dezembro".Na
quinta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa não excluiu um eventual regresso
ao estado de emergência "por proposta de outro órgão de soberania",
referindo que os próximos passos do combate à covid-19 iriam depender
também dos partidos.O estado de emergência vigorou em Portugal no início desta epidemia, entre 19 de março e 02 de maio.De
acordo com a Constituição, a declaração do estado de emergência pode
determinar a suspensão de alguns dos direitos, liberdades e garantias,
por um prazo máximo de 15 dias, sem prejuízo de eventuais renovações com
o mesmo limite temporal.A sua declaração
no todo ou em parte do território nacional é uma competência do
Presidente da República, mas depende de audição do Governo e de
autorização da Assembleia da República.