Presidente da República defende que acordo com os EUA “é bom para os dois” lados
Tarifas
31 de jul. de 2025, 14:29
— Lusa/AO Online
Em declarações aos
jornalistas na Base Aérea das Lajes, na Terceira, Marcelo Rebelo de
Sousa sublinhou, após ser questionado sobre o acordo comercial entre os
EUA e a UE, que é positivo que o Presidente norte-americano, Donald
Trump, “tenha percebido que uma colaboração entre América e Europa deve
ser reforçada no presente e no futuro”, acrescentado o acordo “é bom
para os dois” lados.O Presidente da
República argumentou que "os números que chegaram do crescimento
económico [no segundo trimestre] da América e da Europa e de Portugal”
são a "prova de que é bom para os dois".“Ou
seja, a geopolítica não é indiferente para a economia. Quem decide a
sua vida economicamente, desde trabalhadores a empresários, sabe que uma
coisa é decidir no meio da incerteza e da imprevisibilidade, quem é que
vai investir, quem é que vai trabalhar, quem é que cria mais novos
empregos. Ou numa situação estável. O primeiro trimestre estava dominado
pela ideia da instabilidade”, afirmou.Marcelo
sublinhou também que este tipo de decisões "são sempre temporárias,
reversíveis, conforme as conjunturas" e, por isso, devem ser analisadas
"com muito cuidado".O Presidente da
República disse ainda que iniciar a sua visita aos Açores pela Base das
Lajes é “um sinal político que toda a gente percebe”, enfatizando a
posição “politicamente muito sensível” do arquipélago em questões
geopolíticas.O acordo comercial entre a UE
e os Estados Unidos, alcançado no domingo, fixa em 15% as tarifas
aduaneiras norte-americanas sobre os produtos europeus.O
acordo prevê também o compromisso da UE sobre a compra de energia
norte-americana no valor de 750 mil milhões de dólares (cerca de 642 mil
milhões de euros) – visando nomeadamente substituir o gás russo -, o
investimento de 600 mil milhões adicionais (514 mil milhões de euros) e
um aumento das aquisições de material militar.No
dia seguinte a ser conhecido este acordo, o primeiro-ministro, Luís
Montenegro, considerou que este “traz previsibilidade e estabilidade” à
economia e “evita a escalada”, mas alertou para as novas exigências que
surgem.