Presidente da República apela a solidariedade institucional que garanta estabilidade em 2025
2 de jan. de 2025, 10:02
— Lusa/AO Online
"Precisamos
que o bom senso que nos levou a reforçar a solidariedade institucional e
até a cooperação estratégica entre órgãos de soberania, nomeadamente
Presidente da República e primeiro-ministro, prossiga, e que nos levou
também a aprovar os orçamentos 2024 e 2025, continue a
garantir estabilidade, previsibilidade e respeito cá dentro e lá fora",
afirmou o chefe de Estado na tradicional mensagem de Ano Novo, a partir
do Palácio de Belém.Marcelo Rebelo de
Sousa considerou que é preciso "renovar a democracia, não a deixar
envelhecer", no que toca à "juventude, no papel da mulher, no combate à
corrupção, na construção da tolerância e do diálogo, na recusa da
violência pessoal, doméstica, familiar e social, na capacidade das
forças políticas, económicas e sociais, mas também do sistema de
justiça, mas também na administração pública, para se virarem para o
futuro, para melhor servirem a comunidade".Nesta
mensagem, de cerca de oito minutos, o Presidente da República pediu
mais combate a pobreza, afirmando que "a pobreza, os dois milhões de
portugueses, é um problema de fundo estrutural que a democracia não
conseguiu resolver".Apontando que em 2024
Portugal assinalou os 50 anos da revolução de 25 de Abril de 1974 e o
centenário do nascimento de Mário Soares, o chefe de Estado afirmou que
os portugueses não querem "perder nem liberdade nem democracia", mas
perceberam que "um ciclo se fechou, de 50 anos, e evocar Abril é olhar
para o futuro, não é repetir o passado"."Precisamos
de mais igualdade social e territorial, precisamos de ainda mais
educação, de melhor saúde, de melhor habitação. Para isso precisamos de
qualificar mais os recursos humanos, inovar mais, competir com mais
produtividade, continuar a antecipar e bem no domínio da energia
limpa, no domínio do digital, na tecnologia de ponta, mas não deixar que
se aprofunde o fosso, a distância, entre os jovens que avançam e os que
o não podem fazer, entre os jovens que avançam e aqueles de mais de 55,
60, 65 anos, que cada vez mais entram em becos com poucas ou nenhumas
saídas", alertou.E resumiu: "Numa palavra,
uma economia que cresça e possa pagar melhor e aumentar os rendimentos
dos portugueses, assim corrigindo também as suas desigualdades".O
Presidente da República alertou que é preciso que "os números
económicos e financeiros, vindos do passado próximo, naquilo que tiveram
e têm de positivo, e confirmados no presente, se consolidem e
acentuem".Marcelo insistiu também na aplicação dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)."Precisamos
que os 16 mil milhões do PRR que temos para gastar nos próximos dois
anos sejam mesmo usados e façam esquecer os 6.300 milhões que gastámos,
que usámos, no mesmo tempo ou ainda maior, até hoje", reforçou,
defendendo que Portugal tem de ficar "mais preparado para enfrentar as
aceleradas mudanças na Europa e no mundo"."Precisamos
de afirmar a atualidade da visão universal de Camões, tão lembrado e a
justo título este ano. Ser português é ser universal. Isto é decisivo na
nossa identidade nacional", salientou.Nesta
que foi a oitava e penúltima mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa
enquanto chefe de Estado, referiu-se também às eleições autárquicas,
afirmando que "o povo será o juiz supremo da resposta perante tantos
desafios"."Eu acredito na vontade
experiente e determinada do povo português, eu acredito nos portugueses,
eu acredito, como sempre, em Portugal", afirmou.O
Presidente da República disse também que os portugueses aprendem "com
tudo e todos, com todos" e não têm "o monopólio da verdade", nem deitam
"nada fora"."Guardamos para a nossa memória coletiva de séculos", acrescentou.