Presidente da Moldova acredita na adesão à UE a médio prazo
18 de mai. de 2023, 09:42
— Lusa/AO Online
"Não podemos salvar a nossa
democracia sem fazermos parte da União Europeia" disse Maia Sandu a
poucos dias de uma cimeira europeia que vai realizar-se em Chisinau. "A
Rússia vai continuar a ser uma grande fonte de instabilidade, nos
próximos anos, e nós devemos proteger-nos", acrescentou a Presidente
moldava. A ex-república soviética de 2,6
milhões de habitantes organiza no dia 01 de julho a primeira grande
cimeira sobre a questão do alargamento da União Europeia em que
participam também os países da Comunidade Política Europeia (CPE). A
CPE é um novo formato político que reúne chefes de Estado e do Governo
de 44 países: da União Europeia e 17 Estados europeus que não fazem
parte da UE.A primeira reunião da CPE
decorreu em Praga em 2022 com a participação dos 27 Estados-membros da
União Europeia, os seis países dos Balcãs Ocidentais (Albânia, Macedónia
do Norte, Kosovo, Sérvia, Bósnia e Herzegovina e Montenegro) e dos três
países que pediram recentemente a adesão à UE (Geórgia, Moldova
e Ucrânia).Participaram igualmente a
Arménia e o Azerbaijão assim como os quatro países da Associação
Europeia do Comércio Livre (Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein), o
Reino Unido e a Turquia.No passado mês de fevereiro, Sandu acusou a Rússia de fomentar um Golpe de Estado na Moldova. No
poder desde 2020, a dirigente do país mais pobre da Europa apelou à
realização de uma grande concentração pró-União Europeia destina a
mostrar a vontade dos cidadãos da Moldova em aderir ao bloco europeu. "A
guerra na Ucrânia definiu as coisas 'em preto e branco': é agora muito
claro para todos nós o que significa o mundo livre e o que significa o
mundo autoritário", afirmou a chefe de Estado. Um parte do país, a Transnístria, é controlada "de facto" pela Rússia. A invasão da Ucrânia desencadeou a probabilidade de adesão, até ao momento improvável, pelo menos a médio prazo. "Pensamos
que (a adesão) é um projeto realista e esperamos que vá acontecer",
declarou a Presidente moldava na entrevista à AFP à margem da reunião da
União Europeia que se realizou em Reiquiavique, na Islândia. A chefe de Estado disse que espera uma "decisão sobre o início das negociações nos próximos meses". Recentemente,
a UE conferiu à Ucrânia o estatuto de candidato oficial mas pediu
reformas, sobretudo medidas de combate à corrupção. Embora
a Moldova, que faz fronteira com a Roménia, membro da UE, seja
provavelmente mais fácil de integrar devido à dimensão do país,
subsistem muitos obstáculos à entrada na União Europeia sendo que o
processo pode vir a prolongar-se pelo menos até à década de 2030.Além
da fragilidade económica e dos problemas de corrupção que persistem, a
Moldovo tem também de encontrar uma solução para a secessão da
Transnístria, uma região pró-russa de 300 mil habitantes no leste do
país."Ainda temos coisas a fazer, mas
estamos a trabalhar arduamente e este é agora o nosso principal
objetivo", insistiu Sandu, cujo país tem vindo a retirar-se da
Comunidade de Estados Independentes (CEI), liderada pela Rússia, desde a
queda da União Soviética.