Presidente da Junta de Freguesia da Luz na ilha Graciosa condenado a perda de mandato
13 de mai. de 2025, 15:37
— Lusa/AO Online
“Por sentença de 5 de maio de
2025, o Juízo de Competência Genérica de Santa Cruz da Graciosa condenou
um arguido pela prática, em autoria material e em concurso efetivo, de
um crime de peculato e de um crime de falsificação de documento, na pena
única de 220 dias de multa à taxa diária de 20 euros e na pena
acessória de perda de mandato”, lê-se no comunicado, divulgado na
página do Ministério Público.Segundo o Juízo de Competência Genérica de Santa Cruz da Graciosa, o arguido é o presidente da Junta de Freguesia da Luz.George
Ortins Lobão, eleito pelo PS, foi condenado a pagar ao Estado 2.223,34
euros, valor “correspondente às vantagens que obteve com a prática do
crime de peculato”.Segundo o Ministério
Público, em 2020 e 2021, “o arguido apropriou-se indevidamente de
materiais adquiridos pela junta com verbas de um protocolo celebrado com
a Secretaria Regional da Solidariedade Social”.Esses
materiais, destinados à reabilitação de habitações de famílias
carenciadas, “foram entregues a fregueses para fins diversos, como
construção de telheiros e canis, com o objetivo de angariar apoio
político antes das eleições de 2021”.O
comunicado revela que o arguido “falsificou documentos, ao incluir
despesas inexistentes ou não enquadradas no protocolo em relatórios
enviados à secretaria regional, visando ocultar as apropriações e obter
verbas indevidas”.“Os atos foram
praticados de forma consciente e com dolo direto, violando os deveres
inerentes ao cargo público”, refere o Ministério Público.Segundo
o comunicado, o tribunal aplicou a pena “atendendo à gravidade dos
factos, ao dolo intenso, ao facto de o arguido ter violado os deveres do
cargo público para obter benefícios políticos e financeiros e às
elevadas necessidades de prevenção geral, bem como ao impacto
significativo que os factos causaram na credibilidade da administração
pública”.A investigação foi dirigida pelo
Ministério Público de Ponta Delgada do Departamento de Investigação e
Ação Penal (DIAP) dos Açores, coadjuvado pelo Departamento de
Investigação Criminal dos Açores da Polícia Judiciária.