Presidente da farmacêutica Astrazeneca lamenta egoísmo de alguns países
Covid-19
25 de jan. de 2021, 16:21
— Lusa/AO Online
“Poderia
ter sido um momento do género do 4 de julho, ou dia da independência
(dos Estados Unidos), mas infelizmente não foi o caso, porque houve uma
ligeira postura de ‘eu primeiro’”, disse o francês Pascal Soriot no
Fórum Económico Mundial, em Davos.As
declarações de Soriot foram feitas numa altura em que o seu grupo é
questionado na Europa sobre a falta de transparência relativamente aos
atrasos nas entregas da sua vacina contra a Covid-19.Soriot
não deu exemplos específicos de países, embora a pandemia tenha dado
origem a uma corrida mundial para obter acesso o mais rapidamente
possível primeiro a equipamentos de proteção e depois a vacinas.“É justo dizer que poderíamos e deveríamos estar globalmente mais bem preparados para esta pandemia”, acrescentou.“O
que não funcionou, a meu ver, foi a colaboração do mundo”, mesmo que
evoque “bons exemplos” de ajudas entre os setores privado e o público,
como o caso da vacina de AstraZeneca, desenvolvido com a Universidade de
Oxford.“Mas posso ver que as coisas estão
a mudar e que uma colaboração internacional está a surgir”, disse,
apelando a que sejam feitos investimentos “em prevenção, deteção e
tratamento precoce” para que o sistema de saúde esteja pronto para o
futuro.A AstraZeneca admitiu, no final da
semana passada, que as entregas seriam menos numerosas do que o
previsto, devido a uma “queda do rendimento” de uma fábrica.Esta
declaração causou preocupação na Europa, que está a correr contra o
tempo devido ao aparecimento de novas e mais perigosas variantes do
coronavírus que provoca a Covid-19.A
vacina AstraZeneca/Oxford tem a vantagem de ser mais barata de produzir
do que as das suas concorrentes e também mais fácil de armazenar e
transportar, especialmente em relação à vacina da Pfizer/BioNTech, que
tem de ser armazenada a uma temperatura muito baixa (-70° C).