Presidente da empresa municipal Praia Ambiente garante que já retificou erro com salários
24 de jul. de 2025, 17:39
— Lusa/AO Online
“Relativamente
aos ‘aumentos salariais seletivos’, o conselho de administração da
Praia Ambiente, de imediato, assumiu a situação e comprometeu-se com a
sua retificação, o que já se verificou”, avançou Ricky Baptista, em
comunicado.A dirigente do Sindicato
Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas
Públicas, Concessionárias e Afins (STAL) nos Açores Benvinda Borges
revelou em conferência de imprensa, que os trabalhadores tinham
decidido manter a greve convocada para o dia 01 de agosto, depois de uma
nova reunião com a administração.Na
origem da convocação da greve está um aumento salarial acima do acordado
atribuído apenas a quatro trabalhadores, na empresa responsável pelo
abastecimento de água e recolha de resíduos no concelho da Praia da
Vitória, na ilha Terceira.O presidente do
conselho de administração da Praia Ambiente já tinha dito tratar-se de
um erro, garantindo que a situação seria corrigida, mas o sindicato
lembrou que foram assinados aditamentos aos contratos e alegou que a
solução proposta era ilegal.“A Inspeção
Regional de Trabalho entendeu que os aumentos salariais se encontram em
conformidade com a lei e que a atuação da Praia Ambiente, ao notificar
os trabalhadores, para, no prazo legal de 90 dias, efetuarem a devolução
dos aumentos salariais, é ilegal, por carecer de fundamento legal”,
afirmou Benvinda Borges.Questionado pela
Lusa, Ricky Baptista, que é também vice-presidente da Câmara Municipal
da Praia da Vitória, remeteu esclarecimentos para um comunicado de
imprensa, em que não se refere à possível ilegalidade do pedido de
devolução da verba já paga.Em comunicado,
garantiu que o conselho de administração “sempre demonstrou total
abertura e disponibilidade para ouvir e negociar as reivindicações da
estrutura sindical” e que mantém essa disponibilidade para que os
trabalhadores afetos ao STAL “vejam as suas pretensões satisfeitas,
dentro de um quadro de legalidade, de justiça laboral, de equidade entre
os funcionários e de saúde financeira da empresa municipal”."A
administração respeita o direito à greve e à manifestação, pilares
fundamentais do Estado de Direito democrático. No entanto, apela ao
diálogo construtivo e à procura de soluções equilibradas, de forma a não
comprometer o serviço público prestado à população", frisou.Ricky
Baptista revelou que a administração “aceitou o aumento da retribuição
do trabalho suplementar para 50% na primeira hora em dia normal de
trabalho, em dia de descanso semanal obrigatório ou complementar ou em
dia feriado”, bem como “o acréscimo de três dias de férias aos
funcionários que gozem o seu período de férias nos períodos de janeiro a
abril e de outubro a dezembro”.“Todas as
decisões da empresa municipal nesta matéria foram explicadas e
justificadas, quer aos representantes do STAL quer aos representantes
dos trabalhadores presentes na reunião, num quadro de ponderação
responsável entre as disponibilidades financeiras da Praia Ambiente e as
reivindicações sindicais”, acrescentou.Realçou
ainda que nos últimos anos foram implementadas medidas de aproximação
das carreiras dos trabalhadores da Praia Ambiente ao estabelecido na
função pública.A greve convocada pelo STAL
está marcada para o primeiro dia das festas concelhias da Praia da
Vitória e poderá afetar a recolha de lixo.Os
trabalhadores reivindicam aumentos salariais e de subsídios e a
contabilização de um ponto por ano de serviço entre 2019 e 2024.O
Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com
Fins Públicos (Sintap) assinou um novo acordo coletivo de trabalho com a
Praia Ambiente, dias depois do anúncio da greve convocada pelo STAL.“Nestes
acordos há sempre cedências de uma parte ou de outra e conseguimos
reunir um conjunto de requisitos que vão ao encontro das pretensões dos
nossos associados”, adiantou, em declarações à Lusa, o dirigente do
Sintap/Açores Orivaldo Chaves.