Presidente da Eletricidade dos Açores defende maior investimento na geotermia
24 de out. de 2022, 18:00
— Lusa/AO Online
“Achamos
que deveria existir, do ponto de vista político, uma prioridade,
estratégica e específica, na geotermia”, insistiu o administrador da
elétrica açoriana, ouvido na Comissão de Assuntos Parlamentares,
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a propósito de uma proposta
conjunta do PS e do PAN, sobre o regime geral da Ação Climática no
arquipélago.Nuno Pimentel recordou que a
geotermia (exploração do calor vindo do interior da terra para a
produção de energia), é uma fonte de energia “única nos Açores”, “que
não se pode comparar a outras energias renováveis”, uma vez que é
“previsível” e de “capacidade disponível”, podendo ser utilizada
“sempre” que necessário.O administrador da
EDA lembrou que as energias renováveis ainda implicam um grande
“desperdício” na rede pública, que a empresa prevê recuperar, com o
investimento que pretende fazer em baterias, para o armazenamento de
energia.“A gente já desperdiça cerca de
27% de energia que as instalações que existem podiam produzir”, advertiu
Nuno Pimentel, recordando que isso corresponde a cerca de 30
gigawatts/hora, que a empresa não consegue introduzir na rede, razão
pela qual a EDA está a investir “numa combinação entre mais potência
instalada, mas com um sistema de baterias”.No
projeto de decreto legislativo regional conjunto, apresentado pelo PS e
pelo PAN, os proponentes propõem que a região atinja 70% de produção de
energia, a partir de fontes renováveis em 2030, meta que o
administrador da elétrica açoriana, diz agora que será difícil de
alcançar.“Estimamos que possamos chegar a
65%, fica muito abaixo dos 70%”, admitiu Nuno Pimentel, adiantando que a
meta dos 70% representaria “um degrau adicional” que iria exigir o
recurso a “muitas soluções novas”, que estão ainda a ser sondadas pela
empresa.Na mesma audição parlamentar, José
Contente, deputado do Partido Socialista, lamentou que a EDA esteja a
“rever em baixa” as metas já definidas pela Estratégia Açoriana para a
Energia, que apontavam para a possibilidade de, em 2030, a região poder
produzir 80% de energia a partir de fontes renováveis.