Presidente da EDA admite como possível entendimento com trabalhadores
14 de mai. de 2025, 14:34
— Lusa/AO Online
“Pensamos
que ainda há margem para chegarmos a um entendimento, mas irá depender
também da vontade das estruturas sindicais”, disse à agência Lusa o
presidente da EDA, Paulo André, à margem do evento Clean Energy For EU
Islands - Fórum 2025, que decorre até quinta-feira em Ponta Delgada, na
ilha de São Miguel.A administração da
empresa agendou para segunda-feira, 19 de maio, às 10h00, em Ponta
Delgada, uma nova reunião com os representantes dos trabalhadores.Os
sindicatos apresentaram um pré-aviso de greve ao trabalho suplementar e
deslocações a partir do dia 27 e marcaram uma manifestação para
sexta-feira, para a ilha Terceira.O
Sindicato Nacional da Indústria e da Energia (SINDEL) anunciou que, no
seguimento do plenário de trabalhadores realizado na segunda-feira,
apresentou o pré-aviso de greve ao trabalho suplementar e deslocações,
“cujo início será a partir das 00h00 do dia 27 de maio”.Já
o dirigente do Sindicato das Indústrias Elétricas do Sul e Ilhas
(SIESI), António Sousa, adiantou que “todos os sindicatos
representativos dos trabalhadores” marcaram uma manifestação pública,
para as 09:00 de sexta-feira, para a ilha Terceira.O presidente da EDA disse à Lusa que no âmbito da negociação salarial
já foram realizadas cinco reuniões com todas as estruturas sindicais da
empresa, mas a convergência tem sido “muito lenta”, porque o processo
foi iniciado “com expectativas bastante afastadas”.Como
exemplo, referiu que a proposta inicial de um dos sindicatos “foi de
10% de aumento salarial e [de] 150 euros mínimo de aumento aos
trabalhadores” e a empresa não a pode aceitar, “porque irá comprometer o
seu futuro, tendo em conta os custos envolvidos numa proposta desse
calibre”.Assim, Paulo André explicou que
“tem tentado haver uma convergência de ambas as partes, mas tem sido uma
convergência muito lenta”.“Temos em todas
essas (…) reuniões tentado fazer aproximações. Posso dizer que na
última reunião, do lado das estruturas sindicais, houve uma tentativa
clara de aproximação também das propostas da empresa (…), e nós temos
uma reunião ainda agendada para o dia 19, onde ficaram, tanto as
estruturas sindicais de avaliar propostas feitas pela empresa, como a
empresa ficou de avaliar algumas propostas feitas pelas estruturas
sindicais”, adiantou.Segundo o
responsável, todas as propostas “têm de ser avaliadas em termos de
impactos financeiros para a empresa, não só para o presente, como também
para o futuro”.“Nós, na segunda-feira,
teremos, às 10h00, nova reunião com os trabalhadores. Pensamos que ainda
há margem para chegarmos a um entendimento, mas irá depender também da
vontade das estruturas sindicais”, admitiu.Por
parte da administração da EDA, “há sempre boa vontade” para o
entendimento com os trabalhadores, mas o seu presidente advertiu que a
estabilidade financeira da empresa não pode ser posta em causa.“Somos
uma empresa regulada, os nossos custos têm de ser justificados e
aceites pelo regulador, porque são custos que são incorporados a nível
da tarifa em termos nacionais. Por isso nós temos de ter alguma cautela
na forma como esses custos são aceites na empresa”, acrescentou.Questionado
sobre a reunião de segunda-feira, admitiu que está tudo em aberto, mas
bem encaminhado: “Eu quero crer que será possível e temos margem para
chegar a um entendimento com essa aproximação que houve por parte das
estruturas sindicais”.São acionistas da
elétrica açoriana, que possui cerca de 720 trabalhadores, a Região
Autónoma dos Açores (50,1%), a ESA (39,7%) e a EDP (10%), sendo que os
pequenos acionistas e os emigrantes têm 0,2% do capital social.