Presidente da Comarca da Madeira alerta para criminalidade associada ao consumo de droga
6 de mar. de 2026, 18:33
— Lusa/AO Online
“Avizinham-se
tempos complicados, com falta de magistrados, com falta de
funcionários, com falta de magistrados do Ministério Público”, disse,
acrescentando: “É muito complicado. Vamos tentar fazer o possível com o
que temos, mas vai haver muita falta de meios.”Teresa
de Sousa falava aos jornalistas após a cerimónia de tomada de pose como
juíza presidente da Comarca da Madeira, que decorreu no Palácio da
Justiça, no Funchal, com a presença do presidente do Conselho Superior
da Magistratura, João Cura Mariano.“Vou
fazer o melhor que posso e sei. Acho que é isso que cada um de nós deve
fazer na sua função”, disse, mostrando-se preparada para se adaptar aos
“novos tempos que aí vêm”.A nova
presidente da Comarca da Madeira, que exercia funções no Juízo Central
Criminal do Funchal e sucede a Filipe Câmara, apontou o consumo de
drogas sintéticas na Madeira como um problema grave em termos de
criminalidade.“O ‘bloom’ é um problema
gravíssimo nesta ilha. As dependências das drogas sintéticas têm
aumentado imenso a criminalidade, temos cada vez mais sem-abrigo”,
advertiu, reforçando: “Há um problema muito grave aqui para resolver,
sobretudo em termos criminais.”Por outro
lado, o presidente do Conselho Superior da Magistratura, João Cura
Mariano, disse que presidir à Comarca da Madeira constitui um “desafio
particularmente complexo”, considerando que esta está “marcada pelas
dificuldades logísticas inerentes à distância e à insularidade”.“Exige
uma capacidade reforçada de planeamento, de coordenação e de adaptação.
Exige sensibilidade para realidades locais sem perder de vista a
unidade do sistema judicial nacional. Exige ainda uma atenção permanente
à gestão de recursos humanos e materiais, num contexto em que a
escassez, a rotatividade e a distância podem afetar o normal
funcionamento dos tribunais”, sustentou.João
Cura Mariano disse que estas dificuldades são agravadas por um “fator
estrutural”, que é a limitada autonomia administrativa e financeira das
comarcas, defendendo que “mais do que nas comarcas continentais, na da
Madeira e dos Açores faz todo o sentido uma gestão autónoma dos
tribunais”.O presidente do Conselho
Superior da Magistratura apontou para a assinatura, em breve, de um
protocolo com o Ministério da Justiça, com vista a dotar todas as
comarcas de “mecanismos que lhes permitam dar resposta mais célere a
problemas que exigem respostas com recursos financeiros”, mas considerou
que se trata de “uns tímidos passos”.