Presidente da Bielorrússia garante que não se junta à Russia na guerra
Ucrânia
21 de out. de 2022, 17:07
— Lusa/AO Online
“Não prestem atenção a
esse uivo [ruído mediático]. Hoje não vamos a lado nenhum. Hoje não há
guerra. Não precisamos disso”, afirmou, durante uma visita a um complexo
industrial militar no campo de treino de armas combinadas
Obuz-Lesnovski, na região de Brest, perto da fronteira com a Polónia.“Temos
de nos acalmar. Cada um deve dedicar-se às suas próprias coisas se
quisermos que não haja guerra”, acrescentou Lukashenko.O
jornal bielorrusso Nasha Niva avançou, na segunda-feira passada, ter
recebido “indicações de todo o país de que os homens estão a ser
notificados para se apresentarem nos postos de alistamento” no âmbito de
uma “mobilização encoberta”.O comando do
estado-maior da Ucrânia também referiu, no relatório diário de guerra
publicado no dia 18, que “a mobilização secreta das forças armadas da
Bielorrússia continua sob o pretexto de sessões de treino”.Segundo o relatório, estão a ser treinados operadores de sistemas de mísseis antiaéreos e tripulações de tanques.O
vice-chefe do departamento principal de operações do estado-maior
general das forças armadas da Ucrânia, Oleksiy Gromov, tinha referido,
no dia anterior, que “a ameaça das forças armadas russas de retomar a
ofensiva na frente norte” estava “a crescer”.“Desta
vez, a direção da ofensiva pode ser alterada para oeste da fronteira
bielorrussa-ucraniana a fim de cortar as principais vias logísticas de
fornecimento de armas e equipamentos militares [transportados] para a
Ucrânia a partir de países parceiros”, considerou.Segundo
o responsável militar, existem aviões Mig-31 nos aeródromos da
Bielorrússia que podem ser armados com mísseis de cruzeiro do tipo
Kinzhal, que têm capacidade nuclear.No mesmo dia, a aviação russa começou a patrulhar as fronteiras da União Estatal que a Rússia mantém com a Bielorrússia.Na
quinta-feira, o portal bielorrusso Radio Svoboda indicou, com base em
imagens de satélite, que a Rússia está a concentrar forças e
equipamentos militares no aeródromo bielorrusso de Zyabrivka, na região
de Gomel, perto da fronteira com a Ucrânia.O
Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, propôs, no dia 11, o envio de
uma missão de observadores internacionais à fronteira da Ucrânia com a
Bielorrússia, país que acusa de estar envolvido na guerra russa ao
emprestar o seu território para ataques.Segundo
Zelensky, a Bielorrússia começou por emprestar o seu território à
Rússia em fevereiro, para a entrada dos militares no norte da Ucrânia na
tentativa de tomar Kiev, tendo, nos oito meses seguintes, dado várias
ajudas a Moscovo, nomeadamente para lançamento de drones e mísseis
iranianos.Lukashenko anunciou, no dia 10,
ter feito um acordo com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, para
enviar um grupo conjunto de tropas para as fronteiras ocidentais da
União Estatal, devido ao “agravamento” da situação.Segundo
Minsk, o grupo é composto por cerca de 9.000 militares, 170 tanques,
perto de 200 veículos blindados de combate e até 100 canhões e morteiros
com calibre superior a 100 milímetros.