Presidente da Assembleia dos Açores pede ação concertada na defesa das ultraperiferias
Hoje 15:44
— Lusa/AO Online
“A
UE deve reconhecer, de forma consequente, a centralidade estratégica do
atlântico, assegurando que as futuras opções orçamentais e
programáticas respeitem plenamente as especificidades das regiões
ultraperiféricas, matéria que foi objeto de comunicação formal às
autoridades nacionais e europeias”, defende Luís Garcia.Para
“assegurar uma ação concertada” na defesa das “especificidades” das
regiões ultraperiféricas (RUP), o presidente da Assembleia Legislativa
dos Açores escreveu ao presidente da Assembleia da República, ao
ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, ao presidente do Governo
Regional, aos deputados à Assembleia da República e aos eurodeputados
de origem açoriana.“Nos ofícios remetidos,
o presidente do parlamento açoriano sublinha que a centralidade
geoestratégica do atlântico deve ser acompanhada por decisões europeias
coerentes com essa realidade, alertando para o risco de soluções que
possam conduzir a uma recentralização ou a uma diminuição efetiva dos
instrumentos específicos destinados às RUP”, lê-se no comunicado.Luís
Garcia realçou, também, a “importância estratégica da consolidação da
parceria especial” entre a UE e Cabo Verde, defendendo que as instâncias
europeias devem “reconhecer plenamente a relevância geopolítica da
Macaronésia nas suas orientações estratégicas e decisões estruturantes”.A
posição do presidente do parlamento açoriano decorre após a aprovação
da Declaração de Santa Cruz, nas X Jornadas Parlamentares Atlânticas,
que decorreram entre 05 e 06 de fevereiro em Cabo Verde, com autoridades
políticas da Macaronésia.Os arquipélagos
que constituem a Macaronésia (Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde)
defenderam a “rápida concretização de uma estratégia europeia para o
Atlântico”, com meios financeiros adequados, face à instabilidade
geopolítica internacional.O documento, a
que a agência Lusa teve acesso, dá atenção ao contexto da União Europeia
(UE) e à “redefinição das prioridades no âmbito do próximo Quadro
Financeiro Plurianual pós-2027, privilegiando novas dimensões
geopolíticas em detrimento da Política de Coesão”.A
situação “levanta sérias preocupações quanto ao risco de
recentralização orçamental e de desvalorização estrutural das regiões
ultraperiféricas e do espaço atlântico, em contraciclo com a renovada
importância geopolítica do Atlântico e a soberania deste território que
estas regiões potenciam”, lê-se na Declaração de Santa Cruz.