Presidente da APAF frisa "mais-valia" do VAR e pede "compreensão" a todos
3 de mar. de 2023, 12:54
— Lusa/AO Online
À
margem das Jornadas Anuais da Liga Portuguesa de Futebol Profissional,
que decorre em Braga, o dirigente salientou que, na prática, o diálogo
entre os principais intervenientes do futebol português “não tem
acontecido com a rapidez ou a efetividade que todos achariam desejável”
para a sua pacificação.“A arbitragem vê o
VAR como uma mais-valia, isso é inevitável. Existem processos que têm
que ser melhorados, tem que haver cada vez mais formação, mas quem gosta
verdadeiramente de futebol e de desporto não pode dizer que o VAR não
veio para ajudar. Existem dores de crescimento que só é possível
ultrapassar com a abertura e vontade de todos. É isso que a arbitragem
tem que fazer, trabalhar mais, formar mais e tentar eliminar cada vez
mais os erros, é isso que vamos exigindo aos árbitros, também pedindo a
compreensão a todos os outros intervenientes”, disse.O
presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, pediu o fim do VAR
após a derrota caseira dos ‘dragões’ com o Gil Vicente (2-1), na última
jornada da I Liga, o que motivou uma comunicação da APAF para o Conselho
de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), mas
Luciano Gonçalves notou que não pessoaliza a questão.“Não
tem a ver com Pinto da Costa, com Rui Costa [presidente do Benfica],
[Francisco] Varandas [presidente do Sporting] ou [António] Salvador
[presidente do Sporting de Braga], tem a ver com ser posta em causa a
seriedade e idoneidade das pessoas, não podemos compactuar com isso. Nas
três últimas jornadas, há situações de três clubes diferentes, mas isso
é completamente indiferente para nós. O nosso procedimento, desde 2016,
quando se ultrapassam algumas marcas, é enviarmos para o CD e ele que
decida”, disse.O líder dos árbitros
reforçou que “a crítica faz parte” e que é preciso “aceitá-la com
naturalidade”, ainda que ressalvando que não podem ser “levantadas
suspeições que ponham em causa a honorabilidade das pessoas”.“Se
as críticas forem feitas de forma tranquila e educada, só faz com que
possamos crescer, porque não existe nenhum árbitro que goste de ser
falado durante uma semana por um jogo ter corrido mal”, disse.Luciano Gonçalves revelou ainda ser contra a chamada de árbitros estrangeiros para jogos das provas nacionais.“Não
concordo. Faz sentido se for numa troca ou intercâmbio de formação, mas
nunca pode ser virem árbitros estrangeiros apitar os nossos jogos.
Passa a ideia de que os nossos árbitros não têm competência para os
fazer e, com isso, não concordo de maneira nenhuma. Ainda hoje, ficámos a
saber que vamos ter dois árbitros cipriotas nos dois principais jogos
da II Liga. Não faz sentido. Somos dos países, fora dos ‘big 5', que
mais vezes somos chamados a jogos das competições europeias”, disse.Luciano
Gonçalves revelou ainda ser favorável à publicitação dos áudios do VAR,
tendo revelado que o Conselho de Arbitragem fez muito recentemente esse
pedido ao International Board, que foi negado.“Vamos
continuar a trabalhar para que isso seja possível porque defendemos que
quanto mais transparente [for o processo], melhor”, disse.Quanto
à ideia de serem apenas ex-árbitros a estarem no VAR, Luciano Gonçalves
notou que isso não foi possível ser feito no início, mas que
“certamente num futuro próximo” haverá mudanças.