Presidente da Alemanha alerta sobre a dependência do país em relação à China
26 de out. de 2022, 12:22
— Lusa/AO Online
"A lição que
deveríamos aprender é a de que temos de reduzir, o mais possível, as
dependências unilaterais", disse Steinmeier à televisão pública ARD,
após uma deslocação a Kiev.As declarações
do Presidente da Alemanha enquadram-se na polémica que marca a
atualidade política no país por causa dos planos da empresa Cosco,
filial dos estaleiros estatais do regime de Pequim, que pretende
adquirir 35% do terminal do porto comercial de Hamburgo. O
negócio tem sido criticado pelos Verdes e pelo Partido Liberal (FDP),
parceiros da coligação governamental liderada pelo social-democrata Olaf
Scholz, ex-autarca de Hamburgo. O
Conselho de Ministros que se vai realizar em Berlim deve aprovar,
ou não, a decisão sobre o negócio de aquisição que, segundo a imprensa
alemã, pode vir a contemplar a participação de capitais chineses até
24,9%, para limitar a capacidade da Cosco no porto comercial de
Hamburgo. Além da questão relacionada
com o porto de Hamburgo, também tem sido criticada a próxima visita do
chanceler Olaf Scholz à República Popular da China, acompanhado de uma
delegação empresarial, retomando o mesmo tipo de missões comerciais
aprofundadas pela ex-chanceler Angela Merkel. O
chefe de Estado respondia hoje a questões sobre a
própria responsabilidade como presidente alemão nas decisões de Berlim
em relação à compra do gás russo. Na
opinião do chefe de Estado, a Alemanha deve procurar de "forma mais
intensa" acordos comerciais com outros países do sudeste asiático, um
mercado de 700 milhões de pessoas. Steinmeier, que
não nomeou os países, afirmou que as eventuais futuras relações com os
outros Estados do sudeste asiático não devem "substituir" as ligações
comerciais com a República Popular da China mas sim "complementá-las".
O chefe de Estado alemão realizou na
terça-feira uma visita à capital da Ucrânia, uma deslocação delicada do
ponto de vista político porque no passado mês de abril, após a nova
invasão russa, a presença de Steinmeier em Kiev foi considerada "não
desejada".O político alemão é apontado em
Kiev como tendo feito parte da "linha pró russa" de Berlim praticada
tanto pelo ex-chanceler Gerhard Schroder (1998-2005) e por Angela Merkel
(2005-2021). O atual chefe de Estado
alemão foi ministro do Governo de Schroder, o ex-chanceler amigo e
aliado do Presidente russo, e depois ministro dos Negócios Estrangeiros
do executivo de Angela Merkel. Durante os
anos em que Schroder foi chanceler, iniciou-se a construção do primeiro
gasoduto entre a Rússia e a Alemanha (Nord Stream 1) e que entrou em
funcionamento em 2011, e durante os governos de Merkel foi consolidada a
dependência energética ao decidir-se a construção do gasoduto
Nord Stream 2.