Presidente cessante da SATA considera importante privatizar Azores Airlines
30 de abr. de 2024, 14:44
— Lusa
“Eu
acho que é importante efetivamente a companhia ser privatizada, porque a
SATA precisa de crescer. O único problema da SATA e daqueles resultados
[…] é que não temos capacidade para diluir custos”, disse Teresa
Gonçalves à agência Lusa, no último dia como presidente do Conselho de
Administração do grupo de aviação público dos Açores.Segundo
a responsável, que falava à margem da apresentação dos resultados
operacionais do primeiro trimestre de 2024, na SATA não existem aviões
suficientes e também “não há capacidade para injetar dinheiro na
companhia”.“Portanto, a SATA precisa de
crescer, precisa de ter uma entidade privada que injete dinheiro na
companhia e que se consigam diluir os custos, e depois continuar o
percurso que temos feito. Porque a SATA está estrategicamente colocada
no meio do Atlântico, liga a América do Norte, a Europa e, portanto, é
continuar agora este trabalho”, defendeu.Na
Azores Airlines/Sata Internacional, responsável pelas ligações do
arquipélago com o exterior e atualmente em processo de privatização, os
resultados líquidos do primeiro trimestre deste ano ascenderam a 25,6 ME
negativos (contra 22,7 ME negativos no período homólogo) e na SATA Air
Açores, que faz as ligações entre ilhas, foram de 4,7 ME também
negativos (o que representa uma melhoria de 2,3 ME face ao mesmo período
de 2023).Teresa Gonçalves tomou posse como presidente da SATA em abril de 2023, após a saída de Luís Rodrigues para a liderança da TAP.Em
09 de abril, o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) anunciou que Teresa
Gonçalves se tinha demitido do cargo por "motivos pessoais".Em
11 de abril, a Comissão de Trabalhadores da Azores Airlines revelou que
se demitiu porque o Governo dos Açores "não ofereceu as condições
necessárias" para a administração continuar a desenvolver o "projeto
proposto".Questionada hoje pela Lusa sobre
as razões da sua saída e do administrador financeiro Dinis Modesto do
Conselho de Administração, apenas respondeu: “Nós não abandonámos [a
SATA]. Nós cumprimos o nosso trabalho da forma mais profissional que
conseguíamos. Quando achamos que já não conseguimos efetivamente agir de
acordo com os nossos princípios e as nossas crenças e a forma como
efetivamente achamos que devemos agir, pronto, temos que nos retirar.”“Vou
muito satisfeita porque acho que fiz um trabalho muito bom. Eu, o
Conselho de Administração, o Dinis [Modesto], que vai sair comigo, e os
trabalhadores”, rematou.O Conselho de
Administração demissionário enviou o seu parecer sobre o processo em
curso de privatização da Azores Airlines ao Governo Regional,
manifestando “reservas sobre o consórcio NewTour MS Aviation e sobre as
limitações do concorrente”. O júri do
concurso, liderado pelo economista Augusto Mateus, manteve a decisão de
aceitar apenas um concorrente no relatório final, mas admitiu reservas
quanto à capacidade do consórcio Newtour MS Aviation em assegurar a
viabilidade da companhia.Na semana
passada, a secretária regional da Mobilidade, Berta Cabral, disse que “o
Conselho do Governo é que decidirá e será a breve trecho”.Segundo
Teresa Gonçalves, a administração cessante, “efetivamente, fez uma
análise do relatório do júri, fez as suas próprias análises das
entidades que estavam no consórcio, da valorização da empresa”.“Apresentámos
ao Governo Regional precisamente estas análises, estes factos, e
dissemos: agora o Governo Regional, enquanto acionista, vai ter que
tomar uma posição. E, portanto, é isso que estamos a aguardar. […] O que
foi transmitido foi isto, tal e qual: perante determinados factos, por
favor, o acionista decida o que achar que é melhor para a empresa”,
disse. À futura administração da empresa sugeriu ter muita atenção às pessoas.“É
fundamental não esquecer as pessoas, porque, normalmente, entramos no
ramerrame do dia-a-dia e começamos a focar-nos só na operação. Mas por
trás de toda essa operação estão pessoas e é fundamental não esquecermos
as pessoas. E depois é continuar o bom trabalho que tem sido feito”,
aconselhou.