Presidente argentino acusa direita latino-americana de apoiar e usar violência
23 de jan. de 2023, 12:39
— Lusa/AO Online
"Há
um certo sector da direita latino-americana que pensa que a violência é
uma forma adequada de combater a democracia, de ameaçar a sociedade”,
afirmou Fernández numa entrevista ao jornal brasileiro Folha de S.
Paulo.“Temos de estar alerta, e não permitir que isso aconteça em lugar nenhum", defendeu.O
Presidente argentino receberá o seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio
Lula da Silva, esta segunda-feira na primeira viagem internacional do
líder do Partido dos Trabalhadores brasileiro desde a sua tomada de
posse a 01 de Janeiro.Fernández será
igualmente o anfitrião da 7.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo
da Comunidade dos Estados da América Latina e das Caraíbas (CELAC), que
terá lugar na terça-feira em Buenos Aires e na qual Lula participará.O
líder argentino elogiou a atuação de Lula na resolução da tentativa de
golpe encenada por milhares de apoiantes radicais do ex-Presidente
brasileiro Jair Bolsonaro a 08 de janeiro em Brasília, um episódio que
"deveria chamar a atenção do país e do continente", considerou.O
chefe de Estado argentino considerou que "seria difícil que algo assim
acontecesse na Argentina" porque têm "forças armadas alinhadas com a
‘institucionalidade’"."Mas tivemos um episódio muito sério, que foi o ataque à vice-presidente" Cristina Kirchner, salvaguardou.Fernández
disse que certos sectores da ala direita latino-americana "reforçaram
certas características", inspiradas pela administração norte-americana
de Donald Trump, e que a direita na América Latina está "muito forte",
dando como exemplo as vitórias magras dos líderes de esquerda em
eleições nos respetivos países."(O
Presidente chileno Gabriel) Boric venceu as eleições, mas 45 por cento
votou a favor de uma proposta com características nazis”, afirmou
Fernández, numa referência ao então candidato de direita, José Antonio
Kast. “Aqui, eu ganhei, mas a direita teve
41% dos votos. Na Colômbia, a diferença foi semelhante", e no Brasil,
Lula venceu Bolsonaro, mas a eleição foi também "muito disputada"."É
mais difícil construir grandes maiorias e é necessário aprender a lidar
com isso e defender a ‘institucionalidade’. Uma coisa é o debate
político, a rivalidade, e outra são as ameaças à ‘institucionalidade’,
como tem vindo a acontecer no Peru", concluiu o chefe de Estado.