Presidente Alok Sharma reconhece falta de acordo sobre “questões críticas”
COP26
11 de nov. de 2021, 17:43
— Lusa/AO Online
"Embora tenhamos progredido e
eu reconheço o espírito de cooperação e civismo demonstrado ao longo das
negociações pelos negociadores e ministros, ainda não nos entendemos
nas questões mais críticas”, afirmou, numa conferência de imprensa.O
antigo ministro da Economia britânico adiantou que vai ter mais
reuniões hoje à tarde para tentar chegar a um consenso, em especial
relativamente ao financiamento sobre o clima e o Artigo 6.º do Acordo de
Paris, que se refere aos mercados de carbono e o papel no corte de
emissões. "Ainda há muito trabalho para
fazer e a COP 26 está programada para encerrar no final do dia de amanhã
[sexta-feira]. O tempo está a esgotar-se”, avisou.Lembrando
que já foram publicados vários documentos, Sharma disse que "muito já
foi alcançado” e que “existe um verdadeiro espírito de cooperação” na
conferência, saudando também a declaração sino-americana para
colaboração no combate às alterações climáticas. "Mas
ainda estamos longe de finalizar aquelas que são questões muito
críticas que estão pendentes. E eu não acho que podemos enfatizar demais
o quão difícil isso é. Se fosse fácil, teriam sido resolvidas nos
últimos seis anos, mas não foram", vincou. "Garanto que usaremos cada momento entre agora e o final desta COP para chegar a um acordo”, prometeu.Questionado
sobre as tentativas de alguns países para diluir a linguagem das
conclusões, por exemplo removendo as referências ao fim do carvão e dos
subsídios aos combustíveis fósseis”, Sharma reiterou o desejo de obter
decisões “ambiciosas” nesta COP26. "Acho
que os rascunhos das decisões divulgadas foram ambiciosos e penso que,
se forem adotados como pretendemos, poderemos dizer com credibilidade
que mantivemos os 1,5 graus ao alcance”. O
texto preliminar também propunha que os países deveriam apresentar
novas metas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em
2022, um relatório anual de avaliação e uma cimeira de líderes sobre o
assunto. Uma nova ronda de textos deverá
ser publicada esta noite e Sharma continua determinado em concluir os
trabalhos na sexta-feira, apesar de todas as outras conferências sobre o
clima se terem prolongado para além da data prevista de encerramento. A
COP26, sob presidência britânica, decorre seis anos após o Acordo de
Paris, que estabeleceu como meta limitar o aumento da temperatura média
global do planeta entre 1,5 e 2 graus celsius acima dos valores da época
pré-industrial.Apesar dos compromissos
assumidos, as concentrações de gases com efeito de estufa atingiram
níveis recorde em 2020, mesmo com a desaceleração económica provocada
pela pandemia de covid-19, segundo a ONU, que estima que ao atual ritmo
de emissões, as temperaturas serão no final do século superiores em 2,7
ºC.