Presidente alemão diz não imaginar “regresso ao normal” com Rússia liderada por Putin
Ucrânia
12 de abr. de 2022, 16:48
— Lusa/AO Online
“Não
pode haver um regresso ao normal com a Rússia de Putin”, considerou o
chefe de Estado alemão, que também aludiu à necessidade de aceitar o
preço que esta guerra se arrisca a provocar aos países democráticos. “Esta
guerra exigirá o nosso apoio, a nossa capacidade de nos defendermos, a
nossa disposição em suportar os custos ainda durante muito tempo”,
considerou.Steinmeier também denunciou “os crimes de guerra russos” cometidos na Ucrânia. “Esses
crimes devem ser documentados e esclarecidos. Os autores, os
politicamente responsáveis, devem responder”, insistiu durante uma
conferência de imprensa conjunta com o chefe de Estado polaco, Andrzej
Duda.“Esta barbárie a que assistimos
diariamente, esta barbárie tem de terminar”, frisou, antes de apelar a
Moscovo que permita uma retirada humanitária dos habitantes da cidade
ucraniana de Mariupol, no sudeste do país, e que permanece totalmente
cercada pelas forças russas.Nas suas
declarações, o Presidente alemão também referiu que o seu homólogo
polaco sugeriu que viajassem em conjunto à Ucrânia com outros líderes
para manifestar apoio ao país na sequência da invasão militar russa de
24 de fevereiro, mas “aparentemente não era pretendido em Kiev”.Os
comentários de Frank-Walter Steinmeier surgiram após o diário alemão
Bild ter citado um diplomata ucraniano não identificado, referindo que,
de momento, não era bem-vindo a Kiev por ter mantido no passado relações
próximas com a Rússia. Steinmeier disse
que Andrzej Duda sugeriu que viajassem em conjunto em direção à capital
ucraniana com os Presidentes da Lituânia, Letónia e Estónia para enviar
“um forte sinal de solidariedade europeia conjunta com a Ucrânia” e
disse estar preparado para a efetuar.Na
semana passada, Steinmeier admitiu erros na política face à Rússia no
decurso das suas anteriores funções de ministro dos Negócios
Estrangeiros.Steinmeier ocupou por duas
vezes a pasta da diplomacia no decurso dos mandatos da ex-chanceler
Angela Merkel, mais recentemente entre 2013 e 2017, e antes foi o chefe
de gabinete do ex-chanceler Gerhard Schroeder. Nesse período, a Alemanha
prosseguiu um intenso diálogo com o Presidente da Rússia, Vladimir
Putin, e promoveu fortes relações na área da energia.Ainda
no decurso da conferência de imprensa conjunta com o homólogo alemão, o
chefe de Estado polaco, Andrzej Duda, pediu aos parceiros europeus
“fundos especiais” para a Polónia devido ao acolhimento de refugiados
vindos da Ucrânia.Duda pediu o
“estabelecimento de fundos especiais no interior da União Europeia que
ajudem a resolver financeiramente muitos problemas”, numa referência ao
custo económico da chegada de mais de dois milhões de refugiados
provenientes da Ucrânia.“As aulas de
língua, o apoio médico, os cursos de formação e a educação das crianças
ucranianas” foram mencionados por Duda como “questões financeiras” no
“contexto” da ajuda aos refugiados.