Presidente alemão dissolve Bundestag e confirma eleições para 23 de fevereiro
27 de dez. de 2024, 13:03
— Lusa/AO Online
Com isto, Steinmeier acede ao pedido do chanceler, Olaf Scholz, depois de ter perdido uma moção de confiança.“Decidi
dissolver o Bundestag”, explicou o chefe de Estado alemão num breve
discurso realizado no Palácio de Bellevue, a sua residência oficial, no
qual destacou a importância da “estabilidade política”, um “bem valioso”
que deve ser protegido num contexto excecional como o atual, em que a
Alemanha realizará eleições antecipadas no próximo mês de fevereiro.O
caso anterior de eleições antecipadas na Alemanha remonta a 2005, sob o
Governo do chanceler social-democrata Gerhard Schröder.“Estou convencido de que, para o bem-estar do nosso país, ter novas eleições são o caminho certo”, disse Steinmeier.“Em
tempos como estes precisamos de estabilidade, de um Governo credível e
de uma maioria no parlamento”, acrescentou o Presidente, depois de, na
semana passada, se ter reunido com os diferentes grupos parlamentares do
Bundestag.Nessas reuniões, adiantou o
chefe de Estado hoje, não viu surgir uma maioria diferente daquela que
liderava o país até à dissolução, em novembro, da coligação
governamental tripartida, composta por sociais-democratas,
ambientalistas e liberais e liderada por Scholz.“O
próximo Governo tem grandes tarefas” para assumir, disse o Presidente
alemão, aludindo às soluções que os partidos têm apresentado nos
respetivos programas para as eleições.A
recessão - a Alemanha já conta dois anos consecutivos de contração
económica (2023 e 2024) -, as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente e as
suas consequências para os alemães são questões que, para Steinmeier,
fazem parte das missões que o próximo executivo terá de enfrentar, assim
como o desafio da imigração, da integração, das alterações climáticas e
das suas consequências.“A política é
sempre a negociação entre o que é possível e, ao mesmo tempo, o que não
pode ser”, disse Steinmeier, num discurso em que referiu que espera
“respeito” e “decência” na campanha eleitoral, além de “meios
transparentes " para a batalha programática num contexto em que há
receios de interferência nas eleições daquela que é a terceira maior
economia do mundo e a primeira da Europa.O
Presidente alemão sublinhou ainda que qualquer espécie de “ódio” ou
“violência” não têm lugar na campanha eleitoral, uma vez que constituem
“veneno para a democracia”.“Agora é a vossa vez, cidadãos”, disse Steinmeier, convidando os alemães a votar.“A vossa opinião conta. Votem sabendo que o vosso voto pode ser decisivo”, concluiu.